No dia 19 de julho de 1975 a FOLHA estampava em sua capa uma das manchetes mais tristes dos 58 anos de história do jornal: ‘‘Não sobrou um único pé de caf钒. Ao lado, uma grande foto mostrava os cafezais queimados pelo frio intenso da noite anterior. A notícia da geada negra no Norte do Paraná espalhou-se pelo mundo todo.
  A safra daquele ano já tinha sido colhida antes da geada e rendeu 10,2 milhões de sacas, que representava 48% da produção nacional. Na safra seguinte, o Estado colheu 3,8 mil sacas, apenas 0,1% da produção brasileira. Naquele momento, o Paraná perdeu a posição de destaque na produção do fruto que gera uma das bebidas mais famosas do mundo.
  Enquanto a produção de outras regiões produtoras como Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia cresceu, no Paraná o café foi aos poucos sendo substituído por outras culturas, como a soja. A área plantada, que era um milhão de hectares em 1975, atualmente ocupa apenas 107 mil hectares.
  Esta é uma história marcante na economia do Estado. O fato novo é que bons ventos estão voltando a soprar nas lavouras cafeeiras paranaenses. E, seguindo os trilhos da produção de qualidade: aqui se produz novamente o melhor café do País.
  No mês passado, o Paraná subiu duas vezes ao ‘‘pódio’’ durante o 3º Concurso Nacional da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) de Qualidade do Café, realizado em Guarapari (ES). Os produtores paranaenses Valtemir Mezzomo e Fábio Dória Scatolin trouxeram os títulos de campeão na categoria café natural e o terceiro lugar em café cereja descascado, respectivamente.
  O produto paranaense foi selecionado por um júri formado por experientes provadores e profissionais de compra das principais torrefadoras do País. Na disputa estavam nove lotes – quatro na categoria café natural e cinco na cereja descascado. Os concorrentes já haviam vencido as etapas estaduais.
  Além de troféus, os cafés paranaenses foram disputados por 18 empresas e cinco consórcios durante o leilão da Abic, realizado logo após o certame nacional. Os lotes foram arrematados por lances superiores a R$ 1 mil por saca.
  O reconhecimento do produto paranaense, na opinião do produtor Fábio Scatolin, confirma a necessidade de o Estado construir uma nova fase de prosperidade. ‘‘Temos um relação antiga com o café, de clima e de solo, que não podia acabar com geada de 1975’’.

mockup