Abatiá é um dos municípios do Paraná que se desenvolveram em torno do cultivo do café e, com o declínio da cultura a partir da geada de 75, ficou com uma grande estrutura ociosa que favorece a retomada da cafeicultura na região. Segundo Renzo Gorreta, são 132 mil metros quadrados de terreirão e 107 tulhas ociosas. Ele lembra também que a população caiu de 20 mil para 10 mil habitantes.
A idéia é fazer com que o município se recupere, e o grande responsável por isso deverá ser o Projeto Café Abatiá, no qual já está definida a construção de mais quatro viveiros comunitários durante este ano, chegando a um milhão de mudas. O viveiro já existente no município conta hoje com 320 mil mudas, conseguidas através de parceria entre a Prefeitura e a Associação dos Produtores de Café de Abatiá.
‘‘Se os produtores fossem comprar estas mudas num viveiro normal, gastariam uns R$ 40 mil. Aqui, foram usados recursos de R$ 4 mil do Estado (para compra de saquinhos, sementes, arame, tela e veneno). Os produtores entraram com o trabalho de bater e misturar a terra com esterco, peneirá-la e encher os saquinhos, plantar e fazer o raleio’’, explica Renzo. O dono da propriedade onde está instalado o viveiro recebe pelo arrendamento da área e pelo serviço de molhar, controlar as ervas daninhas e adubar as mudas.
Mais empregosSegundo o secretário de Agricultura do município, Leonardo Carlos Martins Júnior, o Projeto Café prevê a formação e plantio de mais dois milhões de mudas em 98, e assim sucessivamente, até chegar a sete milhões no ano 2000. ‘‘Um milhão de mudas representam 100 novos empregos diretos. E nenhuma destas mudas vai sair do município’’, diz o secretário, enquanto mostra, orgulhoso, a qualidade das mudas adquiridas ali.
Um bom exemplo de esperança no café é o produtor Américo Figueiredo Neto, que nunca abandonou a cultura e tem atualmente 36 hectares plantados, sendo sete no sistema adensado. Ele possui 25 mil mudas no viveiro, com as quais vai plantar mais três hectares de café. A cafeicultura é a principal atividade do produtor, que alcança uma produtividade média de 25 sacas/hectare no sistema convencional, enquanto a média do município não passa de 12 sacas.
Na área de café adensado, que vai produzir pela primeira vez nesta safra, Américo pretende colher 40 sc/ha, podendo chegar a 100 sc/ha a partir do ano que vem. O produtor é considerado uma das lideranças do lugar, e junto com o secretário da Agricultura fez, recentemente, um treinamento de Modernização da Propriedade, promovido pela Ocepar, Faep, Sebrae e Ministério da Agricultura, usando um programa denominado SAP (Sistema de Acompanhamento da Propriedade).(S. L.)

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