Café é bom para a saúde
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sexta-feira, 17 de maio de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
Tomar um cafezinho pode trazer à saúde mais benefícios que o simples prazer de degustar a tradicional bebida. Uma das linhas de pesquisa do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, que reúne 40 instituições brasileiras, investiga as propriedades nutracêuticas do produto, ou seja, suas características nutritivas e farmacêuticas.
Para Antônio de Pádua Nacif, gerente geral da Embrapa Café em Brasília, a investigação dessas propriedades traz possibilidades de ampliar o mercado. A divulgação do café como produto que faz bem à saúde aumentará o consumo, considera.
O pesquisador ressalta que a pesquisa tem papel fundamental no processo de viabilizar o melhor aproveitamento das características da bebida. O café possui naturalmente os componentes nutracêuticos. O desenvolvimento de novas variedades e tecnologia para industrialização adequada pode potencializar essas propriedades, comenta.
Uma das substâncias presentes no café é a serotonina, que tem ação comprovadamente antidepressiva. A bebida contém ainda ácidos clorogênicos, que durante a torra são decompostos em quininos, eficentes no combate de alguns tipos de câncer. Segundo o gerente da Embrapa, há estudos que também investigam a potencial capacidade dos quininos de substituir, em dependentes químicos, o desejo de consumir opiáceos (drogas).
Outra tese, já comprovada, é que o café aumenta o rendimento escolar de crianças e adolescentes, na medida em que aumenta o nível de atenção. São mais de 600 componentes possíveis de serem pesquisados, acrescenta. Para potencializar todas essas características, orienta, é preciso tomar cuidado na hora da torra. O ideal é a torra média, que deixa o café com cor de chocolate. Se os grãos ficam muito pretos, essas propriedades se perdem.
A pesquisa também se dedica a desenvolver produtos diferenciados à base de café que agradem o paladar nacional e internacional. Bebidas geladas, suco de laranja com café, balas, sorvetes e bombons são alguns ítens com bom potencial de aceitação.
Apesar de tantas perspectivas, Antônio Nacif comenta que a cafeicultura continua enfrentando seu principal problema: a desorganização do mercado e do setor produtivo. Segundo ele, a organização é necessária para evitar que alguns elos da cadeia fiquem à mercê das desigualdades do mercado, onde poucas empresas controlam a compra e a venda do café.
Para enfrentar a atual crise de preços, ele avisa que sairão ganhando os cafeicultores que investirem em qualidade. O mercado valoriza os melhores cafés, por isso, o produtor não pode desanimar, disse. Para melhorar a qualidade não são necessários grandes investimentos.


