Jota Oliveira
De Londrina
A autorização foi publicada no Diário Oficial da União, dia 11 deste mês, e criticada esta semana pelo presidente da Comissão de Café da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Wilson Baggio, que não vê necessidade daquela medida, porque no momento o mercado está abastecido e se espera que a safra brasileira a ser colhida em 2000 supere a deste ano.
Conforme as instruções normativas da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, poderá ser importado café cru, beneficiado, também do Peru, Bolívia e Equador. O produto viria para o Brasil pelo sistema draw-back. Ou seja, seria industrializado aqui e retornaria ao país de origem. As instruções definem normas para acondicionamento e fitossanidade do produto e alertam que, caso seja detectada a presença de pragas quarentenárias nas partidas de café, a autorização de importação será cancelada.
Importação desnecessáriaO presidente da Comissão de Café da Faep e membro do Conselho Nacional de Política Cafeeira, Wilson Baggio, diz que a importação é ‘‘intempestiva, burocrática e sem sentido para a produção’’. Ele desconhece se algum setor setor está querendo importar café.
Na semana pasada os diversos segmentos representativos da cadeia produtiva do café reuniram-se em Brasília e a questão foi discutida, inclusive com o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes. Baggio participou da reunião. O cafeicultor, que é também presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio, disse que o Ministro foi informado de que a lavoura é absolutamente contrária à importação, porque ‘‘todos os setores estão abastecidos’’ e os produtores esperam no próximo ano uma safra maior do que a colhida em 1999. ‘‘Não vemos motivos, e desconhecemos solicitação feita por qualquer setor. Então, não será importado nada’’, afirma Baggio.
RiscoA portaria autorizando a importação de café verde daqueles países foi publicada no Diário Oficial pelo secretário da Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Antônio Jorge Camartelli. Os cafeicultores, afirma o diretor da Faep, levaram ao ministro da Agricultura a preocupação com a possibilidade de, junto com café importado, virem pragas e doenças ainda ausentes das lavouras brasileiras.
O Ministro – ‘‘que é homem do comércio, não da produção’’ – respondeu que exigirá rigor na fiscalização fitossanitária, Nas espécies e variedades de café existentes no Brasil já foram catalogadas 365 pragas e doenças. Muitas não têm efeito econômico, mas outras têm. Os cafezais brasileiros não são resistentes a todas as raças de ferrugem ‘‘e nem temos todas as raças dessa doença’’. Novas raças de ferrugem e outras doenças poderiam entrar no País através do café importado.
Há tempos, recorda o cafeicultor, a indústria de solúvel tentava obter a liberação de importações, ou a liberação dos estoques oficiais, para dar maior competitividade a seu produto no mercado externo, porque os preços da matéria-prima (conillon e outros cafés ‘‘baixos’’) nacional estariam altos para o solúvel brasileiro concorrer no Exterior.
Na última reunião do Conselho Nacional da Política Cafeeira, em Brasília, ficou acertado, que os industriais receberão 70 mil sacas por mês, dos estoques oficiais, até completar 1 milhão de sacas, para serem devolvidas em três anos. Segundo Baggio, o Ministro queria atender a indústria do solúvel, visando aumentar a exportação do setor e por isso fez a concessão. Mas, ‘‘o solúvel já está abastecido e não é ele que vai importar’’. O produtor afirma que o problema maior do solúvel é a taxação de 12% aplicados pela Comunidade Européia. ‘‘E o único que paga é o solúvel brasileiro’’. Enquanto isso, o café verde do Brasil paga 3%.
SecaA safra futura já foi afetada pela estiagem, mas Baggio prefere não falar em números. Ele diz que, com certeza, se não ocorrer um desasstre climático até lá, a próxima colheita será maior do que a deste ano. Em alguma proporção a safra paranaense futura deve sofrer quebra, devido à estiagem, qeu derrubou parte da primeia florada, mas voltou a chover no Estado e segunda-feira, 18/10, os cafeeiros mais velhos amanheceram floridos. Em mnovembro, ou até começo de dezembro, a terceira e última florada estará aberta. A primeira limitou-se aos cafeeiros mais novos em produção, de 3 a 4 anos de idade.
‘‘A seca já afetou mesmo a produção’’, garante Baggio. Ele acrescenta que a primeira previsão oficial da safra 1999-2000 será anunciada após levantamento a ser feito em dezembro. De 250 a 300 técnicos trabalharão no Brasil inteiro, ‘‘fazendo serviço sério e muito bem feito’’.
NúmerosA safra brasileira de café neste ano deve ficar entre 22 e 23 milhões de sacas, assim distribuídas: Minas Gerais, 11,5 milhões; Espírito Santo, 3,8%; SP, 2,9; PR 2,1-2,2; BA 0,8%; RO, 1,5 milhão; outros Estados, 350 mil sacas.

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