Se o ‘‘drawback’’ fosse permitido hoje, dificilmente
o café seria importado do Vietnã, país que produz 15 milhões de sacas de robusta

No mercado não há parceria. Quando muito há convergência pontual de interesses. Pedem para o produtor melhorar a qualidade e, na primeira oportunidade, querem comprar a matéria-prima lá fora. Incrível que algumas lideranças do setor pareçam concordar.
Agora mesmo, os industriais brasileiros do setor de café solúvel e torrado e moído estão em forte campanha para convencer o governo e os produtores nacionais a abrir mercado para o café de outros países, sobretudo do Vietnã, que praticamente só produz o tipo robusta. O Brasil é o maior produtor mundial de café e o Vietnã, o segundo.
Não é uma briga fácil, como observa a repórter Mariana Barbosa, da Agência Estado. Em discussão está a autorização de um regime de ''drawback'' para permitir a importação do insumo para a exportação. Mas, ainda que com diversas restrições e cotas, produtores tradicionais temem que a entrada do café do Vietnã possa forçar para baixo o preço do robusta nacional, hoje 10% mais caro. A indústria argumenta exatamente o contrário. ''Se o Brasil permitir o ''drawback'', o mercado vai entender que há escassez de café no mercado, o que vai pressionar os preços'', argumenta o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Mário Malta.
Para a indústria, a liberação da importação é fundamental para garantir competitividade. Enquanto o consumo de café solúvel cresceu 15% em 2006, o Brasil vem perdendo mercado. De 2005 para 2006, o volume de solúvel exportado caiu de 3,5 milhões para 2,7 milhões de sacas.
''A perda de competitividade é passageira, mas vem ocorrendo de forma crescente na última década'', avalia a professora da USP Silvia Saes, autora de um estudo sobre a indústria de café solúvel brasileira. O Brasil é o país que mais exporta café solúvel, mas é o único que não permite o ''drawback''.
Por esses e outros fatores, o Brasil vem perdendo investimentos no setor. De 11 indústrias nacionais há cerca de quatro anos, hoje restam 7, segundo a Abics. Recentemente, a Café Iguaçu fechou uma parceria com uma fábrica na Espanha para abastecer o mercado europeu. ''Sempre tive uma visão produtivista do café, mas hoje vejo que o negócio é mais complexo do que a defesa do produtor'', afirma o cafeicultor Luiz Haffers, presidente da Associação dos Cafeicultores do Paraná. O maior problema com o robusta é a escassez sazonal do produto e a volatilidade dos preços. Mas não são os únicos entraves à competitividade do setor. A União Européia impõe barreiras de 9% ao café solúvel brasileiro. E a indústria também reclama de ICMS, enquanto a indústria estrangeira de solúvel compra a matéria-prima do Brasil isenta do imposto.
''Reconheço que pode chegar um momento em que não tenhamos café suficiente para atender ao mercado interno e à exportação, mas é prematuro falar nisso agora'', argumenta o presidente da Cooperativa de Cafeicultores de São Gabriel da Palha, Antônio Souza Neto. ''Quando o café baixa de preço, o produtor fica desestimulado e a produção cai ainda mais.''
Se o ''drawback'' fosse permitido hoje, dificilmente o café seria importado do Vietnã, país que produz 15 milhões de sacas de robusta, 5 milhões a mais que o Brasil. Os custos de logística, frete, despesas aduaneiras encarecem o produto em 25%. ''Só iremos importar esporadicamente e aceitamos todas as restrições, inclusive de pagamento à vista. O produtor brasileiro sempre será nosso principal parceiro'', afirma Roberto Ticoulat, dono da Três Marias.
Apesar de a importação de café não ser proibida no Brasil, uma série de restrições fitossanitárias e regras não escritas impedem que isso ocorra na prática.No mercado não há parceria. Quando muito há convergência pontual de interesses. Pedem para o produtor melhorar a qualidade e, na primeira oportunidade, querem comprar a matéria-prima lá fora. Incrível que algumas lideranças do setor pareçam concordar.
Agora mesmo, os industriais brasileiros do setor de café solúvel e torrado e moído estão em forte campanha para convencer o governo e os produtores nacionais a abrir mercado para o café de outros países, sobretudo do Vietnã, que praticamente só produz o tipo robusta. O Brasil é o maior produtor mundial de café e o Vietnã, o segundo.
Não é uma briga fácil, como observa a repórter Mariana Barbosa, da Agência Estado. Em discussão está a autorização de um regime de ''drawback'' para permitir a importação do insumo para a exportação. Mas, ainda que com diversas restrições e cotas, produtores tradicionais temem que a entrada do café do Vietnã possa forçar para baixo o preço do robusta nacional, hoje 10% mais caro. A indústria argumenta exatamente o contrário. ''Se o Brasil permitir o ''drawback'', o mercado vai entender que há escassez de café no mercado, o que vai pressionar os preços'', argumenta o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Mário Malta.
Para a indústria, a liberação da importação é fundamental para garantir competitividade. Enquanto o consumo de café solúvel cresceu 15% em 2006, o Brasil vem perdendo mercado. De 2005 para 2006, o volume de solúvel exportado caiu de 3,5 milhões para 2,7 milhões de sacas.
''A perda de competitividade é passageira, mas vem ocorrendo de forma crescente na última década'', avalia a professora da USP Silvia Saes, autora de um estudo sobre a indústria de café solúvel brasileira. O Brasil é o país que mais exporta café solúvel, mas é o único que não permite o ''drawback''.
Por esses e outros fatores, o Brasil vem perdendo investimentos no setor. De 11 indústrias nacionais há cerca de quatro anos, hoje restam 7, segundo a Abics. Recentemente, a Café Iguaçu fechou uma parceria com uma fábrica na Espanha para abastecer o mercado europeu. ''Sempre tive uma visão produtivista do café, mas hoje vejo que o negócio é mais complexo do que a defesa do produtor'', afirma o cafeicultor Luiz Haffers, presidente da Associação dos Cafeicultores do Paraná. O maior problema com o robusta é a escassez sazonal do produto e a volatilidade dos preços. Mas não são os únicos entraves à competitividade do setor. A União Européia impõe barreiras de 9% ao café solúvel brasileiro. E a indústria também reclama de ICMS, enquanto a indústria estrangeira de solúvel compra a matéria-prima do Brasil isenta do imposto.
''Reconheço que pode chegar um momento em que não tenhamos café suficiente para atender ao mercado interno e à exportação, mas é prematuro falar nisso agora'', argumenta o presidente da Cooperativa de Cafeicultores de São Gabriel da Palha, Antônio Souza Neto. ''Quando o café baixa de preço, o produtor fica desestimulado e a produção cai ainda mais.''
Se o ''drawback'' fosse permitido hoje, dificilmente o café seria importado do Vietnã, país que produz 15 milhões de sacas de robusta, 5 milhões a mais que o Brasil. Os custos de logística, frete, despesas aduaneiras encarecem o produto em 25%. ''Só iremos importar esporadicamente e aceitamos todas as restrições, inclusive de pagamento à vista. O produtor brasileiro sempre será nosso principal parceiro'', afirma Roberto Ticoulat, dono da Três Marias.
Apesar de a importação de café não ser proibida no Brasil, uma série de restrições fitossanitárias e regras não escritas impedem que isso ocorra na prática.

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