Jota Oliveira
Da Redação
A Comissão Organizadora do 9º Prêmio Brasil de Qualidade do Café para ‘‘Espresso’’, promovido pela torrefadora italiana IllycaffS, divulgou os 50 finalistas do concurso, que dá prêmios em dinheiro e garantia de compra dos cafés selecionados. Uma das novidades este ano é a presença da cafeicultura do Paraná na lista, confirmando o que especialistas já diziam: este Estado tem condições de produzir café de alta qualidade. Basta saber como. A propriedade que inaugura a participação do Paraná é a Fazenda Santa Alice, das Irmãs Quagliato, de Cornélio Procópio.
Promovido anualmente no Brasil desde 1991, o prêmio é considerado hoje o maior incentivo à cafeicultura nacional. Além dos valores em dinheiro que a IllycaffS distribui aos vencedores, ela premia a qualidade, pagando valores acima do mercado na compra de cafés finos brasileiros. Com isso, foi responsável por uma mudança na mentalidade dos produtores, que agora têm a qualidade como seu principal objetivo, e deu ao Brasil a condição de melhor produtor de café do mundo.
Este ano foram inscritas 716 amostras para o Prêmio – aumento de 33% em relação ao concurso do ano passado, que teve 534 inscrições, e o recorde de insrições até agora, e se manteve a predominância de cafés dos Estados de Minas Gerais (Sul, Cerrado Mineiro e Zona da Mata) e São Paulo (região da Mogiana).
Outra novidade é a participação dos cafés descascados e despolpados (até 98 o regulamento não previa a participação dessa categoria de café), que possibilitaram a inscrição de cafeicultores da região da Sorocabana (SP) que também pela primeira vez ganhou representantes entre os 50 finalistas. Pelo mesmo motivo, os paranaenses puderam tomar parte. Além das regiões que passaram este ano a concorrer ao prêmio, nas regiões tradicionais foram classificados produtores de novos municípios.
Os finalistas de Minas gerais pertencem às cidades de Araguari, Coimbra, Coromandel, Ervália, Estrela do Sul, Indianópolis, Manhuaçú, Monte Belo, Monte Carmelo, Ouro Fino, Paracatu, Patrocínio, Pedralva, Poços de Caldas, Rio Paranaíba, Romaria, São Gotardo, São Tomaz de Aquino, Serra do Salitre e Teixeira. De São Paulo participam cafeicultores de Bernardinho de Campos, Piraju, Sarutaiá, São Sebastião da Grama, Tejuá e Tejubá. Do Paraná estão inscritas as Irmãs Quagliato, de Cornélio Procópio.
A divulgação dos 50 finalistas encerra a primeira fase do Prêmio Brasil de Qualidade do Café para ‘‘Espresso’’. Na segunda fase técnicos da Comissão Organizadora saem a campo para a retirada de nova amostra do lote e comprovar a fidelidade da amostra de 1 kg inscrita.
Em seguida a comissão organizadora prova a classificação e o expresso. Participam da comissão julgadora especialistas brasileiros e dois italianos, sendo um deles o próprio presidente da IllycaffS, Ernedto Illy. Passada esta etapa são divulgados os dez vencedores, produtores do melhor café fino do Brasil. A festa de premiação será realizada em São Paulo, em 19 de novembro.
A exemplo dos anos anteriores, concorrem ao prêmio total de US$73 mil os produtores de café arábica de qualidade, do tipo 3 para melhor, com até doze defeitos, seco em terreiro nas peneiras 16 e acima. Pelo regulamento do concurso, os produtores participam com uma amostra de 1 kg de café representativa de um lote mínimo de 150 sacas e máximo de 600 sacas.
Os dez primeiros colocados dividem o prêmio, do qual US$30 mil vão para o vencedor, produtor do melhor café do Brasil. O vice-campeão recebe US$20 mil; o terceiro, quarto e quinto recebem, respectivamente, US$10,5 e US$3 mil; e do sexto ao décimo colocados ganham US$1 mil.
QualidadeJoaquim de Souza Pereira (está há 34 anos no café), gerente da Fazenda Santa Alice, diz que não precisou mudar muito seu modo de trabalho, pois já vinha lidando com café descascado e despolpado. ‘‘Tivemos apenas os cuidados convencionais’’, afirma.
A propriedade, que participa do concurso para escolha do ‘‘melhor café do Brasil’’, tem 818.650 cafeeiros de diversas variedades e fica a 25 quilômetros de Cornélio Procópio, na estrada para Nova Fátima. Ela foi adquirida nos anos 60 por Orlando Quagliato, agora falecido, e pertence a suas filhas Florinda Quagliato Pinheiro Guimarães, Doroti Quagliato César e Beatriz Quagliato Egreja.

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