Café do Paraná ganha mercado sofisticado
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de dezembro de 2003
Oswaldo Petrin<br>Reportagem Local 
A marca Giocondo, de cafés diferenciados, sai da região de origem, Arapongas, onde é produzido na Fazenda Santa Carolina, da família Giocondo, para estrear em concorridos mercados de praças exigentes como Curitiba, São Paulo, Sorocaba e Campinas. Ao mesmo tempo, pequenos lotes de café gourmet já estão chegando na Itália, Estados Unidos e Japão. As respostas apontam que a receptividade é total.
Isto mostra que o café paranaense é bem aceito no mercado quando produzido com qualidade.
Três anos atrás, depois de estudar o mercado, os Giocondo chegaram à conclusão de que o consumidor é receptivo ao café puro, da fazenda, e que (apesar da guerra de preços, que derruba a qualidade da bebida) haveria espaço para cafés finos. O consumidor exigente saberia distinguir isto. Também era hora de agregar valor, aproveitando o prestígio conquistado ao longo de 60 anos, como fornecedor de matéria-prima para a indústria e exportação. Essas sindagens estão se confirmando na prática.
Produzindo café desde 1940, a Fazenda Santa Carolina investiu em qualidade, implantando novas técnicas de pré e pós-colheita. O plantio, em sistema moderno, adensado, e a colheita no pano, selecionando grãos uniformes, são dois fatores básicos na obtenção de produtividade e qualidade.
Dois sabores - Complementando, as máquinas de lavar, despolpar e desmucilar proporcionaram os chamados ''washed and despolpy coffee''. Tudo isso, nos proporcionou oferecer ao mercado dois sabores muito distintos, porém marcantes e interessantes, com aplicação em nichos de mercado exigente.
O primeiro, com sabor encorpado e forte, ''próprio do Café do Paraná'', originado a partir dos frutos que completaram sua maturação ainda na árvore.
O segundo, com sabor suave, assemelhando-se aos cafés do cerrado mineiro, com um diferencial bem interessante no aspecto corpo. Esse padrão é apreciado no Japão e também por alguns clientes na Alemanha, recebendo elogios por sua suavidade, aroma e um corpo que deixa boa lembrança na boca.
O mercado foi receptivo tanto para o café (torrado e moído) empacotado a vácuo quanto para o almofada. ''Porém apostamos muito na linha vácuo, por ser mais apropriada na manutenção da qualidade em sabor e aroma'', explica Fábio Giocondo, da terceira geração de uma família que tem história no café.
Torrado expresso - Só que, ao mesmo tempo tornava evidente um outro nicho de mercado: o de café torrado tipo expresso, destinado à cafeterias, atendendo a um consumidor que cada vez mais aprecia, degusta e compara os produtos por ano/safra e marca .
''Estamos percebendo um processo semelhante ao ocorrido no passado com os vinhos. Os consumidores, cada vez mais exigentes e sensíveis, estarão querendo novos sabores e opções, valorizando as de melhor aroma, sabor, acidez e torração. Este mercado é seletivo. O perfil do cliente da cafeteria impõe que também os funcionários sejam experts em café'', desde a seleção do lote, a torra uniforme, criteriosa e apropriada, zelando de aspectos como temperatura de torra, por exemplo, explica o produtor.
''Desde o início tínhamos o objetivo de agregar valor à nossa produção, mas olhávamos apenas para o mercado interno e regional. Hoje temos uma visão diferente, mais ampla e voltada a conquistar mercados que privilegiam a real qualidade'', explica.
Conforme Fábio, foi aí que eles começaram a participar de feiras internacionais, ''levando a nossa marca de café, em busca de valorização e reconhecimento de um dos produtos brasileiros que é detentor de grande prestígio no mercado externo, porém mal explorado, segundo Fábio Giocondo, que resume: ''Somos tradicionais vendedores de matéria-prima, porém desconhecidos dos consumidores mundiais como marcas brasileiras com valor agregado. A Alemanha, por exemplo, não tem um único pé de café e, no entanto, é uma grande exportadora de café com alto valor agregado''. Continua na pág 6.


