Edna Mendes
De Cornélio Procópio
Pela primeira vez em nove anos de existência do concurso da torrefadora italiana ‘‘IllycaffS’, que premia os melhores cafés do Brasil, uma fazenda do Norte do Paraná ficou classificada entre os 10 vencedores.
A Fazenda Santa Alice, de Cornélio Procópio, ficou em sexto lugar no Prêmio Brasil de Qualidade do Café para ‘‘Espresso’’, em que concorreu com 716 fazendas produtoras de café em todo o País. O prêmio é considerado o maior incentivo à cafeicultura nacional. A classificação final da nona edição foi anunciada na semana passada, em São Paulo. A primeira fazenda classificada no concurso é de São Sebastião da Grama (SP).
A Fazenda Santa Alice, da família de Rosa Angelieri Quagliato, que reside em São Paulo, é modelo na produção de café no Paraná e constantemente investe em tecnologia para melhorar a produção, apesar de não produzir café em grande escala. Na região, ela também se diferencia das outras fazendas por ser a única que despolpa o café, enquanto as outras descascam. O engenheiro-agrônomo Otacílio Scannapieco, que acompanha a produção de café na fazenda, observa que esse fator contribui na qualidade do café.
EficiênciaDas 7.265 sacas de café beneficiado produzido pela fazenda, 846 sacas são de café despolpado. Para se ter uma idéia da eficiência da fazenda na produção de café, na última safra menos de 1% dos grãos foram descartados.
Scannapieco também frisou que o prêmio é um marco histórico e definitivo que terá reflexos nas futuras comercializações que envolvam o café produzido no Paraná. ‘‘Com esse resultado da Santa Alice acabou essa história de comprar café no Paraná e revender como café mineiro. Agora o café paranaense será novamente valorizado e pode retomar o status de produtor de café fino’’, analisa Scannapieco.
Atualmente uma saca de café de boa qualidade produzida no Paraná custa, em média, R$200,00. O lote de café 160 sacas da Fazenda Santa Alice que ganhou o prêmio, foi vendido por um valor bem acima do mercado. A IllycaffS pagou R$295,00 por saca.
Dos 1.090 alqueires da Fazenda Santa Alice, 160 são destinados ao plantio de café, o que corresponde a aproximadamente 820 mil pés de café. Como incentivo, a ‘‘IllycaffS’’ repassou a US$1 mil à fazenda.
Mais qualidadeSegundo o gerente da fazenda, Joaquim de Souza Pereira, 56 anos, na próxima safra a produção da Santa Alice deve chegar a 1 milhão de pés de café. ‘‘Com o prêmio estamos impulsionados a querer aumentar ainda mais a produção e a qualidade. A classificação é resultado de um trabalho árduo e persistente de muitos anos’’, ressaltou.
Os vencedores do prêmio são os melhores produtores de grãos de café arábica de qualidade. Eles dividirão um prêmio de US$73 mil, dos quais US$30 mil ficaram com o primeiro colocado. Cada produtor participou com uma amostra de 1 quilo de café que representava um lote mínimo de 150 e máximo de 600 sacas.
Segundo o presidente da IllycaffS, Ernesto Illy, este ano ‘‘os cafés inscritos apresentaram excelente qualidade o que dificultou a escolha dos campeões’’.

mockup