O produtor de café deve aproveitar o bom momento dos preços do produto para capitalizar-se. Essa é a orientação do coordenador regional de Londrina do departamento do café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Francisco Barbosa Lima. O preço de R$ 250 pagos pela saca de 60 kg de café fino poderiam servir para o produtor renovar as lavouras e ainda investir no incremento da qualidade da produção, declara.
Lima explica que, historicamente, o preço do café passa por ciclos de alta e baixa. De acordo com ele, esses ciclos que variavam entre 8 e 10 anos agora se completariam em 4 ou 5 anos. Segundo ele, este momento seria uma época de alta no valor do produto. Essa alta provavelmente se estenderá, calcula, por mais dois ou três anos. Lima esclarece que esses ciclos seriam fruto de um conjunto de fatores como preços, concorrência e produção internacional, além de, interferência de precocidade das mudas diminuindo os períodos entre a plantação e o início da produção.
Na avaliação de Lima, portanto, os preços do café devem se manter atrativos aos produtores com pequenas oscilações nos períodos de colheita e entre safra. Outra tática para o cafeicultor ganhar mais com a atividade está no planejamento para comercialização da safra, aponta. ''O produtor deve estar informado para saber quando os preços estão atrativos para a venda. Se puder esperar os preços melhorarem ele não deve vender no auge da safra quando a oferta de produto aumenta e preço está menor'', orienta.
Os preços no mercado internacional também devem se manter atrativos neste ano por causa da redução na produção mundial. O Brasil, por exemplo, que produziu 38,66 milhões de sacas em 2004 irá colher 32,45 milhões neste ano. Como o consumo interno de café gira em torno de 15 milhões de sacas/ano e as exportações chegam em média nos últimos anos aos 25 milhões de sacas, Lima contabiliza que deverá haver uma redução no volume exportado. O câmbio desfavorável para as exportações também não incentivaria a venda no mercado externo.
Outra constatação dele está na necessidade de diversificação de culturas por parte do cafeicultor. ''O produtor não deve ficar na dependência apenas de uma cultura e suscetível às variações climáticas que interferem nesse cultivar específico'', afirma. Ele acrescenta que, tendo disponível variedade na produção o agricultor terá inclusive condições de esperar o melhor momento para negociar a safra de café e conseguir rendimentos maiores.
De acordo com ele, cerca da metade da safra 2005 já foi colhida. A previsão deste ano é para a colheita de 32,4 milhões de sacas. O Paraná deverá ficar ser o sexto Estado no ranking de produção de café com 1,4 milhão de sacas, sendo que a área plantada foi neste ano foi de 113 mil hectares.
Quanto a qualidade do produto, Lima aconselha que os produtes podem remanejar os rendimentos conseguidos com o bom preço do pago pelo produto para investirem no manejo e armagenagem dos grãos necessários para garantir a integridade do produto. Ele menciona que o manejo da lavoura, com cuidados com poda e combate a pragas são fundamentais para a sanidade da plantação e qualidade dos grãos.

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