Café desaparece das lavouras paranaenses
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sexta-feira, 25 de abril de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local
Responsável pelo desenvolvimento de muitos municípios paranaenses, inclusive na formação de alguns deles, a exemplo de Londrina, o café está sumindo das lavouras do Paraná e virando artigo de museu. Para se ter uma ideia da dimensão da redução da cultura no Estado, no auge da produção paranaense, ocorrida na década de 1970, a área destinada para a cafeicultura ultrapassou a marca de 1 milhão de hectares. Hoje, a área destinada à cultura não passa de 58 mil hectares.
De 1970 até hoje ocorreram diversos fenômenos que prejudicaram o desenvolvimento da cultura no Paraná. Naquela época, conta Paulo Franzini, gerente do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), a geada negra de 1975 e a alta interferência do mercado prejudicaram o desenvolvimento da economia cafeeira, contribuindo para a crise que já se instalava no setor.
Franzini recorda que como as terras no Norte do Estado tinham alta fertilidade, muitos produtores começaram a diversificar o plantio de café com algodão, cultura que, naquela época, proporcionava uma boa rentabilidade para os produtores paranaenses. "Outro fator limitante para a produção de café foram os altos e baixos ciclos da cultura, que forçaram muitos produtores a saírem da atividade."
A partir de 1990, Franzini lembra que a oferta e a demanda cafeeira começaram a ser ditadas pelo mercado internacional. Somado ao aumento dos custos de mão de obra, motivado pela escassez de trabalhadores, ficou ainda mais difícil manter a competitividade da cultura perante às novas cultivares que já estavam atraindo muitos produtores pelo seu bom rendimento, a exemplo da soja e do trigo, cita o gerente do Deral.
Hoje, lamenta ele, poucos investem na cafeicultura por esses motivos. O especialista afirma que a cultura continua rentável desde que o agricultor faça uma boa gestão em sua propriedade. Franzini frisa que o cuidado permanente com o solo, a adoção da mecanização e o uso de técnicas de produção mais eficientes ajudam a viabilizar a atividade. "Quem continua na cafeicultura tem uma ligação muito forte com a atividade", salienta.
Mesmo com o empenho de muitas entidades de classe e dos próprios produtores para restabelecer a atividade, o gerente do Deral não descarta a possibilidade da área destinada para a cafeicultura paranaense reduzir ainda mais. "Para que o produtor se fortaleça é preciso se unir a associações e cooperativas. O segredo é trabalhar em grupo", completa. Hoje, o café está na sexta posição no ranking de participação no Valor Bruto de Produção (VBP) do Paraná.
Crises
Silésio Abel Demoner, coordenador do Projeto Café do Paraná do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), relembra que a primeira crise brasileira do café aconteceu em 1906, quando ainda não havia lavouras no Paraná. O motivo, segundo ele, foi o excesso de oferta nos dois principais polos de produção, Minas Gerais e São Paulo. Depois que o governo limitou a expansão da cultura nesses estados, as primeiras plantas começaram a chegar ao Paraná, cujo solo e clima eram propícios para a atividade.
Ao todo, Demoner conta que a cafeicultura brasileira passou por mais seis crises. Mesmo com essas adversidades ocorridas nas últimas décadas, o coordenador revela que muitos produtores não desistiram da atividade. "Hoje temos muitos agricultores querendo voltar à atividade porque os preços estão melhorando", diz Demoner. Mas para que o cafeicultor tenha sucesso, o coordenador do Emater salienta que a única saída é a cafeicultura mecanizada. "Não temos mais mão de obra e nem técnicos suficientes para atender os cafeicultores", lamenta.
Demoner completa que a instituição tem realizado um trabalho eficiente com os produtores que continuaram na atividade, com visitas constantes às propriedades e convênios com associações e cooperativas para estabelecer um suporte técnico para os cafeicultores.
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