Café de qualidade não chega ao consumidor
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sexta-feira, 05 de outubro de 2001
Cristina Côrtes<br> De Londrina 
Dizem que toda crise tem seu lado positivo, e a atual desvalorização do café no mercado internacional poderá apontar novos caminhos para o cafeicultor, que produz um grão de qualidade. O primeiro passo é conscientizar o consumidor sobre que tipo de café que ele está bebendo. E num segundo momento é criar formas de abrir o mercado para este tipo de produto. Em Londrina, cidade que já foi conhecida como a capital mundial do café, poucas pessoas sabem a origem do café que estão bebendo. Elas só sabem que estão comprando um produto muito ruim, e com isso vão reduzindo o consumo.
O setor de comercialização, apontado como vilão pela maioria dos produtores, cria dificuldades para a entrada do café que é produzido na região, e o consumidor fica restrito às opções de cafés que vêm de fora. Uma pequena torrefadora da cidade, por exemplo, não está conseguindo colocar seu produto nas grandes redes de supermercados, apesar de oferecer um pó de excelente qualidade. Instalada há um ano e meio, torra e mói 120 kg/dia quando sua capacidade é 500kg diários.''Por enquanto produzimos apenas aquilo que conseguimos vender, porque não conseguimos competir com as grandes indústrias, nos principais pontos de venda da cidade, que exigem investimentos fora de nossas condições'', diz Maria Antonia Garcia Madi, sócia-proprietária da torrefadora.
Do café ao cafezinho O londrinense convive com lavouras bem próximas, mas bebe um café que pode estar vindo bem de muito longe. Segundo o presidente da Associação dos Cafeicultores do Paraná, as grandes indústrias torrefadoras estão misturando na nossa bebida grande quantidade do café robusta que vem da Ásia.''O consumidor está sendo enganado'' destacou Ricardo Strenger em entrevista a Folha Rural. A associação luta pela rotulagem do café, que irá informar ao consumidor o que ele está bebendo, possibilitando que ele possa escolher.
Para o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Nilson Ladeia, na região de Londrina se produz um café arábica de boa qualidade, mas depois que o produto sai da propriedade, não há garantia de manter qualidade. ''O café de qualidade não recebe uma remuneração diferente, e o produtor não tem estrutura de comercialização para fazer seu produto chegar direto no consumidor'', diz Ladeia. A secretaria estima que a produção anual da região é de 6 mil toneladas/ano, enquanto o consumo seria em média mil toneladas/ano. ''Nossa produção abasteceria tranquilamente o município'', diz Ladeia.
Ciente das dificuldades dos produtores, a secretaria já está discutindo formas de organização a comercialização dos produtores locais. ''Estamos pensando numa campanha ''Do café ao cafezinho'', para que os pequenos produtores possam se organizar, torrar, moer e comercializar seu café.
Para o gerente da torrefadora Hélio Madi, o futuro da agricultura está mesmo na agroindustrialização para agregar renda. ''Nós estamos também produzindo café. Iniciamos numa pequena área e já temos uns 10 mil pés em produção'', informou.
Café do tempo da vovó Maria Antonia Madi conta que muitas pessoas que provam seu café comentam que o sabor lembra o ''café da vovó'' ou seja, lembra um tempo em que o café era torrado e moído em casa. ''Hoje a sociedade moderna não permite isso, mas o consumidor deve saber que pode exigir uma bebida que tenha esta mesma qualidade e que não faça mal à saúde'', destaca.
''Para fazer uma boa bebida é necessário escolher um café de boa procedência, selecionar os grãos por tamanho para ter uma torra uniforme, e saber o ponto certo da torra tanto para fazer o pó, quanto para o grão que será utilizado para o café expresso'', explica Hélio Madi.
A torrefadora comercializa atualmente duas marcas, Café Terra Roxa e Café Sierra, além de fornecer grãos sem moer para café expresso. Por enquanto estão conseguindo comercializar em algumas padarias e restaurantes da cidade, além de mandar uma parte para São Paulo.
Serviço Os interessados no café produzido pela torrefadora podem fazer contato pelo telefone (43) 342-1613 ou 9102-3815


