Café com sabor de Pirapó
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sexta-feira, 08 de agosto de 2008
Célia Guerra<br> Reportagem 
De olho na edição 2008 do concurso Café Qualidade Paraná, os trabalhos na propriedade de Shigueo Yamamoto, no distrito de Pirapó, em Apucarana, se concentram nos cuidados com o lote de 10 sacos que serão inscritos no concurso. Mas engana-se quem pensa que o tratamento ''vip'' é exclusivo para esse lote. Qualidade tornou-se referência em toda a produção do sítio de 30 hectares - sete deles voltados à cafeicultura com 45 mil pés da planta.
Yamamoto está sempre entre os produtores premiados nas etapas regionais do Café Qualidade. Em 2005, ele foi o campeão paranaense e conquistou o 5º lugar no concurso nacional, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic). O lote para o concurso está bem guardado assim como a maior parte da produção que, pela fama da qualidade do grão e da bebida, assim que for colocada à venda tem compradores certos com preços diferenciados. A colheita está no fim e os terreiros, agora, são ocupados pelos cafés de varrição, que mesmo com os cuidados do produtor têm qualidade inferior.
A história de Yamamoto anda na contramão das que tratam sobre a permanência do pequeno produtor no campo. Ele trabalhou na roça até os 18 anos, quando saiu para estudar. Depois de formado em Economia, abriu um escritório na cidade, onde permaneceu até dez anos atrás. Aos 56 anos, decidiu trocar de atividade optando novamente por morar na zona rural e cuidar da produção agrícola. Por orientação da Emater, o produtor optou por cultivo diversificado, com opção para a fruticultura com áreas de nêspera, atemóia, maçã, ameixa e duas variedades de abacate e caqui. ''Tenho produção o ano inteiro'', informa.
Mas não é só a produção do sítio que toma o tempo de Yamamoto. Ele preside a Associação dos Cafeicultores de Apucarana, e trabalha ativamente para incentivar uma produção diferenciada. ''Vamos criar uma marca própria de café com a certificação de produto sustentável, além da rastreabilidade'', diz com convicção. O trabalho é lento, admite. Entre as principais dificuldades está a de vencer a resistência de outros cafeicultores com hábitos tradicionais de cultivo.
A associação tem um projeto de trabalho e busca recursos, na ordem de R$ 400 mil, para facilitar a condução da cultura com qualidade e com menos dependência de mão-de-obra, ''cada vez mais escassa'', destaca Yamamoto. ''Perdemos parceiros para a cidade e para a cana-de-açúcar'', reclama. Entre as solitações do projeto estão recursos para a compra de duas derriçadeiras e dois sugadores utilizados na colheita do café.
Um grupo de produtores de Pirapó conheceu os equipamentos durante uma feira realizada em Três Pontas (MG). ''Com as máquinas reduzimos em até 70% a dependência da colheita manual'', calcula. A entidade conta com 130 associados, mas o desejo do presidente é envolver os cerca de 600 cafeicultores estabelecidos na região.
''Vamos cuidar também do beneficiamento e da classificação dos grãos''. A entidade já possui sede doada pela prefeitura de Apucarana. Yamamoto acredita que para a safra do ano que vem a associação já terá parte dos equipamentos à disposição dos associados. ''Para motivar os produtores é preciso apresentarmos resultados'', diz ele.
Na terça-feira passada, Yamamoto esteve em Curitiba e apresentou o projeto ao secretário de Agricultura, Valter Bianchini. Segundo informações da Agência Estadual de Notícias (AEN), o secretário irá negociar parte dos recursos solicitados diretamente com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que tem disponível uma linha de crédito em apoio à cafeicultura. Outra parte pode ser complementada com recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e Programa de Geração de Renda (Proger) Rural, com juros de 2% ao ano. A determinação, como consta na AEN, é que os apoios financeiros ocorram via crédito mais barato em relação às taxas de mercado e não a fundo perdido.
Bianchini vê ainda uma terceira linha de apoio - a negociação com o governo federal para o repasse de equipamentos beneficiadores do café em poder do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC).


