Café com guandu contra geada
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de junho de 1998
Luciane Tonon De Cornélio Procópio 
O casamento das lavouras está sendo comemorado por cerca de 60 produtores da região de Cornélio Procópio, que pretendem passar o inverno sem preocupações com geadas. O café não poderia ter arrumado um parceiro melhor para sua proteção, que o feijão guandu ou andu. A espécie plantada nos intervalos das ruas, causa um sombreamento que protege as mudas contra ventos, geadas, disseminação de doenças e capins; e ainda é um excelente adubo orgânico.
Os agrônomos Renzo e Cilésio, da Emater, mostram o resultado da utilização do guandu no cafezalA idéia surgiu há nove anos, com o produtor Américo Figueiredo Neto, em Abatiá (44 km a leste de Cornélio Procópio), mas só há dois anos está sendo difundida entre os produtores da região. Começamos plantando o feijão guandu nas curvas de nível e notamos que ali o café ficava mais verde. Então, em 1989, resolvemos plantar em todas as ruas, lembra o produtor. O resultado, segundo ele, foi satisfatório. Percebemos que, com o feijão, evita-se a irrigação pós-plantio e pela matéria orgânica gerada, a qualidade do produto fica excelente, acrescenta.
ProteçãoOutra vantagem citada por Figueiredo é que esta tecnologia põe fim ao drana de ter que ficar colocando bambuzinho em volta das mudas ou cobrindo as mudas com terras para protegê-las do frio. Só aí, economiza-se muita mão-de obra e dinheiro.
A Emater local aderiu à idéia e a sistematizou. Hoje são mais de 60 produtores no município e região, numa extensão de 200 hectares. Foi feito uma análise comparativa entre o sistema simples e este conscórcio e os resultados foram evidentes quanto à diferença de pegamento, manutenção da fertilidade e manutenção da umidade no solo, entre outros, afirmou o técnico da Emater, Renzo Gorreta Hugo. Ele teve o apoio da Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, de Bandeirantes.
Carlos AlmeidaEm primeiro e terceiro planos o cafezal descoberto; em segundo plano o guandu protegendo lavouraO processoA implantação do guandu deve ocorrer quatro a cinco meses antes do plantio do café, preferencialmente após se fazer o sulco para as mudas de café. O guandu floresce a partir de maio. A espécie deve ser plantada de 12 a 15 sementes por metro, formando uma fileira nas entrelinhas de duas em duas ruas ou em todas as ruas, estendendo assim maior cuidado com as podas.
Quando o guandu atingir 1,8 metro, aproximadamente, de acordo com o estágio do café, iniciam-se as podas, que devem ser parciais, para a cultura nova ir se aclimatando a uma maior insolação, explica Hugo. Segundo ele, após dois anos da cultura pode-se deixar algumas plantas esparsas na lavoura.
O coordenador regional de lavouras da Emater, Cilésio Abel Demoner, explica o por quê da uniformidade através desta tecnologia. Ele lembra que as inflorescencias são formadas nas axilas das folhas, opostas aos ramos laterais crescidos na estação anterior. Isto faz com que o crescimento dos ramos seja uma das características utilizadas nas previsões de safra do ano seguinte, ou seja, quanto maior o crescimento dos ramos laterais, maior será o potencial produtivo. Mas, este fato é possível, segundo Demoner, se o estande (número de plantas por hectare) estiver exatamente conforme planejado, pois havendo falhas no estande, haverá falhas nas previsões de safras. No mesmo talhão, haverá desuniformidade de produção por planta.
Isso, além de prejudicar a previsão de safra, haverá na mesma gleba plantas com superprodução, causando o depauperramento do pé, a começar pela mortalidade e queima dos ponteiros, um indicativo de que grande percentual das raízes já morreu, acrescenta.
Demoner garante que no sistema guandu/café isso não acontece, pois se o estande é definido para 10 mil pés/ha, haverá exatamente este número de plantas por hectare. Vale lembrar ainda que o guandu, como ervilha é um excelente complemento alimentar tendo 22% de proteína.
Vantagens do sistema café x guandu:
- pegamento de mudas de café;
- diminuição de capina;
- proteção contra geadas;
- melhoria da fertilidade;
- diminuição da disseminação de doenças e pragas;
- quebra de camadas adensadas;
- adubação orgânica racional;
- economia de transporte;
- material mais cru, próprio para a cultura perene.


