As área de cultivo do cafeicultor Antônio Martins Braga demonstra a interferência do clima: de grãos bonitos e bem desenvolvidos....
As área de cultivo do cafeicultor Antônio Martins Braga demonstra a interferência do clima: de grãos bonitos e bem desenvolvidos.... | Foto: Fotos: Marcos Zanutto



Produtores, trabalhadores e máquinas no campo para o início da colheita do café no Paraná e, claro, em todo o País. No Estado, aproximadamente 10% a 15% da área de 37,9 mil hectares já foi colhida e os ânimos dos cafeicultores paranaenses, digamos, oscilam dependendo de cada caso e região. Para alguns, a forte estiagem que castigou as lavouras recentemente atrapalhou a qualidade e formação dos grãos. Já para os especialistas, esse impacto só chega na próxima safra. A reportagem da FOLHA foi a campo e traz uma análise da cultura enquanto a colheita, que segue até agosto, ganha ritmo. Ainda há expectativa de bons resultados.

No próximo dia 24 de maio é comemorado o Dia Nacional do Café e quando avalia-se o País como um todo as projeções não poderiam ser mais otimistas. O 2º levantamento da safra 2018, divulgado nesta semana pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), aponta para um volume histórico de 58 milhões de sacas beneficiadas. O crescimento é 29,1% em relação aos 44,9 milhões de sacas do ano anterior. Vale dizer que o café é uma cultura bianual e 2018 trata-se da safra positiva que, associada às boas condições climáticas, justificam o provável recorde produtivo em todo o território nacional.

No Paraná, a empolgação é menor, mas existe. Desde 2013 houve uma inversão produtiva devido a uma forte geada, portando o Estado está em período de bienalidade negativa. Mesmo assim, há expectativa de atingir a marca de 1 milhão de sacas. Já a produtividade média do Estado deve ficar em 27 sacas por hectare, uma saca a menos quando comparado à safra anterior. "Estamos na (safra de) baixa, era para cair mais a produção, mas como as condições climáticas foram favoráveis (no ano passado), o café se recuperou e está produzindo muito bem este ano. Não tivemos uma bienalidade marcante", explica o coordenador do Projeto Piloto do Café e engenheiro agrônomo da Emater, Cilésio Abel Demoner.

Imagem ilustrativa da imagem Café: colheita ganha ritmo no Estado
| Foto: Marcos Zanutto



Para o especialista, entre todos os fatores que influem na produtividade do café paranaense, o produtor precisa olhar com mais cuidado um assunto específico: a fertilidade do solo. "Nosso solo é um dos melhores, mas há barreiras químicas que afetam a produtividade e todo o manejo. Não adianta jogar adubo, tem que resolver lá embaixo, aliado a uma cobertura de solo. Hoje o produtor está consciente de que o solo não pode ficar descoberto, o sol batia diretamente e ele chegava a brilhar. É preciso cobertura com braquiária, adubação verde, e isso tem ajudado muito na produtividade do café."

ASSISTÊNCIA DEFICITÁRIA E AUDIÊNCIA PÚBLICA
Outro ponto que sem dúvida atrapalha o desenvolvimento da cafeicultura paranaense – que já foi tão forte no passado – é a falta de assistência técnica em todo o parque cafeeiro. A Emater estima que essa atenção sistemática só acontece atualmente para cerca de mil cafeicultores no Estado – por meio do Projeto Piloto do Café, que acontece em parceria com a Anater (Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural) - com um investimento de R$ 6,23 milhões. Outros incríveis sete mil produtores estão desassistidos. "Os produtores assistidos já superam as 30 sacas beneficiadas por hectare. O problema é que temos muitos pequenos que não recebem assistência técnica e estão produzindo de 12 a 15 sacas por hectare", explica Demoner.

Para mostrar a importância de fomentar políticas públicas em relação à cultura, entidades encabeçadas pela Câmara Setorial do Café promovem uma reunião na Assembleia Legislativa do Paraná no dia 29 de maio. A ideia é apresentar um histórico da cafeicultura e sua viabilidade para pequenos produtores, grande maioria no Estado. "Hoje temos basicamente pequenos produtores, com área de cinco a seis hectares, (que precisam) desde a assistência técnica, pesquisa, crédito rural, equipamentos comunitários para a colheita. Por meio de políticas públicas, precisamos estruturar essas lavouras e trazer todas as informações necessárias para ter um café de qualidade."

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