Café adensado vale a pena
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sexta-feira, 14 de abril de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem local 
Será que o modelo tecnológico de café adensado é a melhor opção para os cafeicultores paranaenses? Esta foi a questão que permeou as discussões do 14º Encontro do Café, realizado na última quarta-feira, durante a ExpoLondrina.
A pesquisa conseguiu provar que sim, explica o engenheiro agrônomo da Emater de Grandes Rios, Nelson Menoli. O cultivo do café adensado surgiu no Estado no início da década de 1990 para proteger os cafezais das geadas e garantir renda aos produtores.
O projeto elaborado pelo governo estadual previa a condução de um cafezal com espaçamento de 2 metros entrelinhas por 1 metro entre plantas, plantio parcelado e podas escalonadas. Essa tecnologia permitiria ao cafeicultor manter seu cultivo numa área menor e utilizar a área de sobra para diversificar a produção agropecuária da propriedade. ''Nem todos os produtores respeitaram as técnicas de manejo, por isso não obtiveram resultados tão positivos quanto esperavam'', assinala o agrônomo.
Segundo ele, a principal meta do projeto era manter a área cultivada com café no Estado, que somava cerca de 400 mil hectares, além de melhorar a produtividade dos cafezais que, até então, registravam a média de sete sacas de café beneficiado por hectare. ''Por um lado o programa deu certo, tanto que a nossa produtividade média cresceu para 30 sacas/ha. Por outro lado, muitas áreas foram substituídas por outras culturas e hoje o Paraná conta com pouco mais de 100 mil ha plantados com café'', analisa Menoli.
Hoje, lamenta o agrônomo, muitos cafeicultores estão voltando ao cultivo tradicional, principalmente por falta de informação. ''Eles só vão sentir os prejuízos quando as lavouras forem atingidas pela geada'', diz.
Para Menoli, o enxuto quadro da assistência técnica paranaense também compromete o acompanhamento das lavouras. ''Falta uma política pública que contemple o café, que aloque recursos para o treinamento da mão-de-obra especializada e que viabilize linhas de crédito para que o cafeicultor possa investir em novas tecnologias'', declara.
Enquanto faltar política governamental, o setor deve se organizar em grupos para facilitar a compra de equipamentos e insumos. ''Fica mais barato para todos e resolve parte dos problemas'', acredita o gerente da Emater. O importante, completa, ''é recuperarmos a área de cultivo e mostrar que mesmo com todas as dificuldades, o Estado ainda é um grande produtor de café de qualidade'', finaliza.


