A cadeia produtiva do pinhão manso firmou parcerias para impulsionar a cultura na região Norte do Paraná. Por meio de acordos, o viveiro Rancho Ecológico, em Londrina, vende as mudas aos agricultores, a Planapec, empresa de planejamento agropecuário, fornece assistência técnica, e a indústria de produção de biodiesel Biopar compra o óleo para processamento. A parceria já está formada, por meio do Programa Biocombustível Renovável - Pinhão Manso, mas devido ao pequeno número de produtores integrantes, a produção do biodiesel ainda não está sendo realizada na planta da usina, em Rolândia.
Segundo Gumercindo Fernandes, engenheiro agrônomo e sócio da Planapec, até o momento foram firmados 14 contratos com agricultores familiares, que somam uma área de 14 hectares em Lerrovile, distrito rural de Londrina. Mas, após a realização do II Circuito Nacional do Pinhão Manso, em outubro, surgiram 22 novas intensões de médios e grandes produtores da região de Londrina, Rolândia e Cambé para aderir ao programa. ''Agora vamos avaliar as localidades, pelas áreas e climas, para verificar se comportam a atividade'', esclarece.
A Planapec é contratada pela Biopar para prestar assistência aos produtores que integram o programa. ''Nós recebemos treinamento da Embrapa sobre o manejo da cultura para repassarmos aos agricultores as informações corretas'', ressalta Fernandes. Segundo ele, a intensão é buscar culturas alternativas com alto teor de óleo para produção de biocombustível que não concorra com a produção de alimentos.
O diretor da Biopar, Nivaldo Tomazalla, explica que atualmente a usina apenas adquire óleo de pinhão manso já processado para produção de biocmbustível. ''Ainda não temos volume suficiente de produção de pinhão manso no Norte do Paraná que torne viável processarmos o óleo aqui'', revela. Tomazalla espera que, com a maior divulgação do produto, a quantidade colhida na região aumente e o óleo possa ser extraído dentro de quatro anos na estrutura instalada em Rolândia.
O supervisor administrativo da Biopar, Alfredo Dias, afirma que a diferença entre as culturas utilizadas para o biodiesel é a quantidade de óleo. ''Enquanto a soja tem apenas 18% de óleo, o pinhão manso tem aproximadamente 38%'', aponta. O cultivo de matéria-prima para biocombustível é uma oportunidade para os pequenos produtores, tendo em vista que para obter o Selo Combustível Social e comercializar junto à Petrobras, as usinas precisam adquirir 30% da produção de agricultores familiares.
No caso do Programa Biocombustível Renovável - Pinhão Manso, os agricultores familiares não precisam comprar as mudas, que são financiadas pela própria Biopar. Para a produção de biodiesel de soja, a Biopar adquiriu, de janeiro a outubro deste ano, mais de 283 mil sacas da agricultura familiar, a um custo de quase R$ 13 milhões.(M.F.)

Imagem ilustrativa da imagem Cadeia produtiva se organiza na região