Os produtores de carne bovina, de forma geral, tiveram uma total despreocupação com os consumidores, uma consequência da preferência que houve durante muitos anos pela carne vermelha. A opinião é do pecuarista Nelson Rafael Pineda que tem participado de eventos destinados a discutir a produção de carne e o marketing do produto no País.
Ele fez o alerta durante o 3º Encontro Nacional do Boi Verde, realizado em agosto em Uberlândia (MG), quando falou a pecuaristas e técnicos sobre o posicionamento da cadeia produtiva bovina diante do mercado interno. ''A cadeia produtiva bovina ignorou um dos princípios básicos do marketing estratégico: a produção termina somente quando alguém compra o produto.''
Segundo Nelson Pineda a década de 90 terminou com outra realidade, tanto no consumo interno quanto no volume de exportação. Dados da FNP Consultoria, empresa de São Paulo, indicam que nos últimos 10 anos o consumo per capita de frango aumentou 112,5% contra 7,6% carne bovina e a exportação de carne de frango aumentou em 190,3% contra 122,5% de carne bovina.
Os hábitos de consumo do brasileiro foram modificados e o frango conquistou seu espaço com muita competência. A cadeia agroindustrial soube se consolidar.
Os índices zootécnicos que medem produtividade também tiveram uma evolução no caso do frango, o que fez a diferença na competição entre as proteínas. O tempo de abate do frango foi reduzido de 100 para menos de 40 dias, mantendo-se o peso entre 1,5 kg a 2,5 kg. A eficiência alimentar foi melhorada e o preço para o consumidor foi reduzido em mais de 50%.
De acordo com Nelson Pineda se a dona de casa fosse orientada como preparar um corte como o acém, cozido lentamente, ficaria surpresa com a maciez da carne. Pelo preço pago pela alcatra, poderia comprar o dobro do acém. O conhecimento melhor de cortes, preparo e cozimento de cada parte do boi significaria a possibilidade de economia para o consumidor.
(C.B.)

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