Cadeia produtiva de suínos precisa amadurecer
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O Paraná figura como o o terceiro maior produtor de carne suína no País, mas ainda há muito o que evoluir, de acordo com especialistas do setor. Para debater estratégias para melhorias da cadeia, foi realizado no final da última semana o o 8º Simpósio Internacional de Produção Suína (Suinter), em Foz do Iguaçu. Os debates que contaram com palestrantes do Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, México, Dinamarca, entre outros países giraram em torno de estratégias para produzir uma carne de qualidade, saudável e com custos cada vez mais competitivos, além de bem-estar animal e menor impacto ambiental.
O simpósio realizado em três dias contou com 300 participantes entre médicos veterinários, zootecnistas, pesquisadores, produtores, empresários, representantes de cooperativas, agroindústria e principais empresas de todos os segmentos, reunindo todos os elos da cadeia produtiva.
A médica veterinária e responsável pela organização do evento, Maria Nazaré Lisboa, relatou em entrevista à FOLHA que o Brasil é um país com perfil produtor de carne e que a suinocultura tem um espaço significativo para evoluir. "Nós somos altamente competitivos na produção de suínos, mas precisamos amadurecer toda a cadeia, deixando-a mais integrada desde a produção, passando pelos frigoríficos até o mercado consumidor. Essa integração é muito importante, sendo que podemos aplicar ainda o modelo cooperativista em muitos casos", explicou.
No que diz respeito à produção, Maria Nazaré comentou que o suinocultor precisa focar em medidas de biossegurança, inclusive no bem-estar animal, já que uma carne livre de antibióticos é ideal para atender mercados no Brasil e no exterior. "Acredito que o Ministério da Agricultura realiza um trabalho bem feito e estamos livres de doenças que atrapalham outros países produtores de suínos, como a síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos, presente nos EUA e também na Europa", ressaltou.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab), o Estado produziu no ano passado 19,1% do total da suinocultura nacional: um volume de 611,1 mil toneladas de carne suína de um total de 3,1 milhões de toneladas produzidas no País. Com cerca de 30 mil produtores comerciais de suínos, a atividade é responsável pela geração de cerca de 200 mil empregos diretos e 300 mil indiretos no Estado. A competitividade dos produtores também é o destaque da suinocultura paranaense que, com disponibilidade de matérias-primas para ração, como soja e milho, tem o menor custo médio de produção entre os maiores produtores de suínos do Brasil.


