Cadê a assistência técnica?
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sexta-feira, 28 de julho de 2006
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
A falta de assistência técnica tem dificultado a vida de pecuaristas em Sapopema. Apesar de a pecuária ser a principal atividade agrícola, o município não dispõe de veterinários para esse serviço, nem mesmo de empresas privadas.
Um exemplo é o produtor Antonio Camilo da Silva, na atividade há mais de 10 anos. No sítio de 7,5 alqueires, o rebanho é de 43 animais: ''Já perdi outro tanto igual'', lamenta. Toda a produção leiteira da propriedade era transformada em queijos pela esposa, Elzanete Bueno da Silva, que já chegou à média de 60 unidades/mês. A venda do produto auxiliava na renda da família. ''Agora, o leite mal dá para atender a demanda da família. As vacas boas de produção morreram'', diz. Com isso, até mesmo os investimentos feitos na compra de uma ordenhadeira mecânica estão ociosos.
O produtor reclama que lhe falta conhecimento para o manejo adequado do rebanho. ''A gente não deixa o gado passar fome, mas não sabe avaliar outras necessidades do animal.'' Para complementar a dieta dos animais no período de inverno, ele possui áreas com cana-de-açúcar e capim napier, além de um triturador para preparar o alimento.
Entre as demandas técnicas, Camilo admite que ainda não sabe avaliar o estado de prenhez das vacas. ''Tem muita vaca aqui que, para mim, já deveria ter dado cria, mas não sei o que ocorre'', diz.
No pasto há a ossada de mais de 10 animais que morreram nos últimos anos sem que ele ao menos soubesse as causas. ''De um dia para o outro o animal se prostra e morre. Não sei se foi mordida de cobra, de morcego ou alguma doença'', confessa.
Na atenção aos animais ele não descuida das vacinações, mas peca na aplicação. ''Eu apliquei a vacina da aftosa, mas o gado ficou estressado'', afirma mostrando os caroços que se formaram no pescoço dos animais.
Na semana passada, durante a vistoria do rebanho Camilo encontrou uma bezerra com um rompimento das ligações do tecido do lábio inferior. Esta semana, a situação do animal piorou pois se formaram bicheiras no tecido exposto. ''Como eu trato isso? Já comprei antibióticos mas é preciso costurar essa pele. Vou acabar perdendo o animal''.
Além dos bovinos, Camilo mantém criação de suínos e galinhas caipiras. Na última semana três leitões da raça pietran morreram também de causa desconhecida. ''O governo não se esquece dos assentamentos e aldeias, mas deixa pequenos produtores como eu na mão''.


