Muitos moradores da zona rural não disfarçam o medo da vida arriscada que levam. Às vezes, o dono reside na cidade e o empregado fica vulnerável, morando em locais isolados e de fácil acesso para os ladrões.

Enquanto uns investem em complexos sistemas de vigilância, outros preferem confiar na atenção dos caseiros, como é o caso da Fazenda Princesa, de Mamborê.

Ailton Gomes dos Santos cuida da fazenda há oito anos e presenciou pelo menos uma tentativa de roubo. ''Eles já estavam com o caminhão no portão quando eu resolvi sair no escuro para ver o que estava acontecendo. Felizmente eles foram embora sem levar o veículo'', contou.

Mas, em pequenos roubos, como os de produtos para a lavoura, motores e aparelhos de solda os invasores quase sempre têm sucesso. ''Há três meses a sede foi arrombada e foi levada a tv e a antena parabólica'', lembrou Santos. ''O patrão deu queixa, mas nada foi encontrado'', completou.

O telefone é a única saída em caso de emergência. ''Mas quando eles querem roubar, a primeira coisa que eles fazem é cortar a comunicação'', lamentou o caseiro, que vive com a esposa e dois filhos em uma das casas da propriedade. ''Agora com meu irmão morando aqui também nos sentimos menos sozinhos'', declarou.

E como a família se protege? ''Trancamos o portão com cadeado e deixamos os três cachorros soltos pela fazenda durante a noite'', disse. Se isso é suficiente? ''Temos de viver assim, pois precisamos do emprego para sobreviver''. (M.G.)

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