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Londrina

Folha Rural

m de leitura Atualizado em 13/04/2022, 17:38

Cachorro de sítio

Desde há muito tempo, os cães também acompanham o homem em migrações

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de abril de 2022

Dailton Martins
AUTOR autor do artigo

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Cachorro não é só um bicho rural de grande utilidade protegendo os donos, a casa e os animais no campo,mas um excelente companheiro fiel como nenhum outro animal desde tempos remotos.

Imagem ilustrativa da imagem Cachorro de sítio Imagem ilustrativa da imagem Cachorro de sítio
|  Foto: .Marco Jacobsen
 

Animal domesticado há aproximadamente 15 mil anos, segundo os historiadores, acompanhou o homem antes mesmo da revolução agrícola há uns 10 mil anos. Ninguém sabe ao certo quando o pulguento começou a adentrar a casa e deitar debaixo da mesa. No começo era enxotado, mas depois o ser humano viu que não tinha jeito, pois o bicho abanava o rabo mesmo quando era posto para fora e ficava com aquele olhar de dó! Descobriu-se que protegia os donos com a própria vida demonstrando ser totalmente fiel nas situações mais perigosas.

A literatura mundial já contemplou os cães com vários livros como “Caninos Brancos” de Jack London; ”Marley e eu”, de John Groga, filmes como “Lassie”,”Sempre ao seu lado”, séries de televisão como Rin tin tin e desenhos animados. Há uma infinidade, mas acredito que seria imperdoável não citar pelo menos o Scooby-Doo.Acho que esse todo mundo conhece. O cachorro é um animal cultural e popular.E faz parte da cultura pop.Tornou-se um animal midiático. Quem não se compadece de um cachorro maltratado ou passando fome? Muitas vezes se ouve que algum cachorro foi deixado para trás, pois o dono não o levou com a mudança.

O cachorro fica perambulando pelas ruas e procurando o dono. Isso quando não é deixado doente na rua pelo próprio dono porque o tratamento ficaria caro. É revoltante. O animal irracional que cuidava da casa e alegrava o ambiente com suas brincadeiras é levado a morrer à mingua pelo animal racional que não o quer mais porque pode dar despesa. Por outro lado há pessoas que tratam os seus cães quase como filhos. Na televisão já houve reportagens sobre aniversário de cachorro com festa, convidados, presentes e tudo mais. Assim como há gente que valoriza mais um cachorro do que outra pessoa. O ser humano é cheio de paradoxos. Há também pessoas que confiam cegamente em cães. Literalmente. Pois há cães treinados para pessoas cegas e cumprem fielmente sua função. Aliás, fidelidade é uma coisa intrínseca aos caninos, haja vista que acompanham seu dono aonde quer que ele vá. Acredito que muita gente já viu mendigo com um cachorro. Pode estar frio, calor ou chovendo o cachorro está ali junto. É impressionante.

Desde há muito tempo, os cães também acompanham o homem em migrações.Em fato recente, muitos desses animais viajaram da Ucrânia para outros países com seus donos para fugir da invasão russa. Polônia, Romênia e Suiça flexibilizaram a entrada dos pets em março de 2022 pois o apoio emocional dado pelos animais ajuda a diminuir o sofrimento e os traumas .Também muitos animais ficaram na Ucrânia pois seus donos sucumbiram diante da guerra ou não conseguiram levá-los, alguns ficando em abrigos outros não.

Em tempos de guerra ou de paz, os cães estão sempre presentes.Tanto na cidade como no campo.

E quem então, já não foi em sítio e não viu pelo menos um cachorro? Quando a gente chega eles ficam latindo e não param de se agitar enquanto o dono manda eles ficarem quietos pra ouvir os visitantes. Depois de algum tempo eles se aquietam um pouco e voltam pra baixo de

uma sombra de mangueira de onde haviam saído e ali ficam arfando com a boca aberta e a língua de fora por causa do calor, mordendo de vez em quando o rabo por causa de alguma pulga ou eventual carrapato que sempre vive no meio de algum mato de onde eles se enfiam atrás de algum bicho pra comer. Cachorro de sítio come o que você dá e se a comida cai um pouco fora da panela velha usada como vasilha de ração os bichos comem do mesmo jeito. É um bicho sem luxo. Mas, sim, há muitas exceções.Sempre há. E é um animal muito sociável. Ultimamente ando vendo vários cachorros passeando em shoppings centers junto com seus donos. Sim, não são mais os donos que levam seus cães para passear, são os cachorros que levam seus donos. Há sempre alguém querendo passar a mão e brincar com o cachorro. Tem uns que vão até com roupinha, ou lenço no pescoço e outros adereços.acredito muito caros. E há marcas de grifes para os caninos. Muitas.

Mas o cachorro raiz, como é chamado o cachorro de sítio que lida com a rotina da roça, não tem luxo, não.Toma chuva, corre atrás quando vaca foge, briga com lagarto que quer entrar em galinheiro pra comer os ovos e as galinhas, faz de tudo um pouco nos afazeres que lhe é atribuído. E depois de velhinho fica no seu canto com suas dores e parte sem incomodar ninguém. Mas no fundo fica um sentimento na gente de que nesse mundo tem muito mistério e um deles é se existe lugar pra cachorro na eternidade afinal quando se vão dizem que há sempre uma estrelinha nova no céu.

DAILTON MARTINS É LEITOR DA FOLHA