No distrito de Guaravera, na zona sul de Londrina, a família do agricultor Arthur Franco da Silva aposta na preferência nacional pela bebida e se prepara para produzir cachaça artesanal em grande escala a partir desse ano. Silva e seus nove irmãos decidiram investir na atividade porque a renda do sítio de 12,5 alqueires, até então cultivado com lavouras anuais de milho, soja, arroz, feijão e uma estufa de olerícolas, não estava sendo suficiente para sustentar todas as famílias. Além disso, o uso contínuo de agrotóxicos intoxicou dois dos irmãos e os impossibilitou de continuar trabalhando com essas culturas. ‘‘Plantando cana, utilizaremos menos defensivos’’, avaliou.
Tradição de família
A família Silva detém o conhecimento sobre o processo de produção de cachaça há mais de 30 anos. O pai de Arthur, já falecido, possuia um pequeno alambique doméstico. Para iniciar a produção em maior escala, eles adquiriram por R$ 10 mil uma fábrica desativada de cachaça localizada em Marilândia do Sul (34 km ao sul de Apucarana), que foi transportada para Guaravera. A estrutura é formada por um engenho elétrico, um alambique e três barris de carvalho de cinco mil litros.
Esses equipamentos são suficientes para produzir 100 mil litros anuais de cachaça. Também foram plantados quatro alqueires de cana para abastecer a produção, que em 2002 será de 50 mil litros. ‘‘Pretendemos atingir a capacidade máxima apenas em 2003’’, adiantou o produtor.
A cana plantada na propriedade será suficiente para obter 30 mil litros de cachaça. ‘‘Vamos ter que comprar a matéria-prima restante, mas se tudo der certo, ampliaremos a área na próxima safra’’, espera. Como a lavoura foi plantada em agosto, a previsão é que a primeira colheita realize-se em março.
Produção
O processo de produção da cachaça começa com a colheita da cana e sua moagem no engenho, onde é transformada em garapa. Nessa etapa, é acrescentado o fermento e o líquido descansa por 36 horas, para completar a fermentação. No alambique da família Silva, eles optaram por usar fermento natural de milho. ‘‘Como é um produto artesanal, dispensamos a utilização de qualquer produto químico’’, esclareceu Arthur.
Depois de fermentado, o produto vai para o alambique, onde é fervido e destilado. Nesse ponto, a bebida está pronta para consumo, mas Arthur recomenda deixá-la descansando por no mínimo seis meses em barris de carvalho. ‘‘É preciso envelhecer um pouco para que a cachaça fique realmente boa’’, observou.
Reconhecimento
O governo federal passou a reconhecer e proteger a cachaça – com base nos direitos da propriedade intelectual relativos ao comércio – como um produto genuinamente brasileiro. Conforme decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e publicado semana passada no Diário Oficial, ficam protegidas as expressões ‘‘cachaça’’, ‘‘Brasil’’ e ‘‘cachaça do Brasil’’, que somente poderão ser usadas para indicar o produto que atenda a regras gerais estabelecidas na lei que dispõe sobre a padronização, classificação, registro, inspeção, produção e fiscalização de bebidas.
O objetivo da iniciativa é dar suporte à uma reivindicação que visa obter internacionalmente o reconhecimento da cachaça e da caipirinha como bebidas típicas brasileiras. Com essa atitude, o governo pretende impedir que outros países continuem rotulando como cachaça outros tipos de bebidas. De acordo

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