Curitiba - No próximo dia 29, será criada oficialmente a Associação Paranaense de Produtores de Cachaça Artesanal, num encontro de empresários do setor em Foz do Iguaçu. Uma comissão provisória, com representantes do Sudoeste, Norte Pioneiro, Litoral e Oeste do Paraná, trabalha na organização da entidade desde o encontro estadual de produtores de cachaça, que foi realizado há cerca de dois meses em Curitiba.
O coordenador do Programa Fábrica do Agricultor da secretaria, Luis Damaso Gusi, conta que já foram identificados no Paraná 400 produtores de cachaça. O maior problema é a informalidade, que atinge 98% do mercado. A Fábrica do Agricultor passará a atuar mais na orientação para organização das empresas, desenvolvimento de rótulos e embalagens, na adequação sanitário-ambiental e também para obter novos parceiros. Isso porque, segundo ele, o investimento na produção de cachaça artesanal com qualidade melhora a renda do produtor e gera emprego no campo.
O Brasil produz 1,3 bilhão de litros de cachaça por ano. Deste volume, 10% tem origem artesanal, com 25 mil produtores. A exportação brasileira é de 11 milhões de litros, mas apenas 0,7% deste total são produtos artesanais. Os 400 produtores artesanais de cachaça do Paraná produzem, em média, 25 mil litros da bebida por ano. Noventa e cinco porcento destes produtores têm a produção de cachaça como atividade secundária. O setor fatura US$ 600 milhões por ano e gera 400 mil empregos.
A produção de cachaça artesanal, além de gerar renda e emprego, também contribui para a melhoria da balança comercial brasileira, já que o produto tem grande potencial de mercado no exterior. O Brasil já exporta cachaça para a Alemanha, Itália, Reino Unido e Escócia, entre outros países.
A intenção do governo e das demais entidades ligadas ao setor é profissionalizar estes produtores e torná-los empresários do setor como forma de melhorar a qualidade do produto e, consequentemente, a renda dos produtores.
''Precisamos dominar a arte de bem fazer, de fazer com qualidade'', diz o diretor geral da Secretaria da Agricultura, Norberto Ortigara. Segundo ele, quem não faz bem o seu produto vende uma vez só. ''Temos que tomar alguns cuidados não só em relação à qualidade da bebida, mas de sua apresentação, nos preocupando com rótulos e embalagens'', avalia.
O consultor do Sebrae Paulo Porsch diz que foi realizada uma pesquisa entre os produtores de cachaça do Paraná revelando que 93% deles não utilizam nenhum insumo químico no processo de produção. ''Isto abre a possibilidade de investirmos na produção de cachaça orgânica, cujo valor de mercado é muito superior'', destaca. Segundo ele, o mercado internacional paga o equivalente a R$ 0,80 pelo litro da cachaça industrial; R$ 2,80 pelo litro da cachaça artesanal, e cerca de R$ 8,00 pelo litro da cachaça orgânica.

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