A valorização da cachaça de cana-de-açúcar, cultivada na propriedade rural e produzida de forma artesanal, em alambique tipo cebola, é tema do 1º Encontro de Produtores do Norte do Paraná, marcado para dia 3 de outubro, às 8 horas, em Londrina, com o argumento de que ''ela é especial e é nossa''.
Segundo o engenheiro agrônomo Gervásio Vieira, coordenador do evento, a produção paranaense de cachaça artesanal é quase desconhecida e não tem recebido atenção e apoio necessários, embora seja parte importante das oportunidades de renda e de emprego da agricultura familiar.
Neste primeiro encontro a proposta é dimensionar o potencial e as limitações. ''E junto com os participantes, organizar a produção e o produtor para competir no mercado estadual e nacional, inclusive o internacional, agregando mais valor ao produto local de origem artesanal''. Serão estabelecidos procedimentos de marketing e formulação de estratégias para abertura de novos mercados.
A iniciativa de reunir a classe produtora é do Governo do Paraná e da Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal do Paraná (Aprocapar) e realizada pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Programa Paraná 12 Meses Emater-Paraná, Programa de Agroindústria Familiar Fábrica do Agricultor e Sebrae, com apoio do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Unopar, Iapar, Codapar e Fenaca/Apex.
O Brasil produz 1,3 bilhão de litros/ano de cachaça industrial, com expectativa de, no final dessa década, chegar a 50 bilhões de litros/ano. Em apenas quatro anos o número de indústrias passou de 11 para 35. As exportações chegaram a 12,2 milhões de litros no ano passado, 0,9% da produção nacional.
A cachaça artesanal é obtida exclusivamente da cana-de-açúcar, destilada em alambique tipo cebola, graduação alcoólica variando de 38 a 54% em volume a 20 graus Celsius, processada sem uso de aditivos químicos e produzida em sistema familiar. O setor ainda é informal e encontra dificuldades nos segmentos de embalagens, rotulações, tecnologia de produção, linhas de crédito e alternativas de comercialização, assegura o engenheiro agrônomo João Nishi de Souza, Implementador Estadual do Programa de Agroindustria Familiar da Emater.
A Emater espera a presença de 150 participantes de Ponta Grossa, Santo Antônio da Platina, Cornélio Procópio, Ivaiporã, Apucarana, Maringá, Paranavaí e Londrina. Haverá exposição das cachaças artesanais produzidas no Paraná, distribuição de uma cachaça promocional do encontro e apresentação do resultado de análise da qualidade das amostras de cachaças artesanais, representantivas das diversas regiões, enviadas para a comissão organizadora do do 1º Encontro de Produtores de Cachaça Artesanal do Norte do Paraná.
O vice-governador e secretário da Agricultura e do Abastecimento Orlando Pessuti fará abertura do evento. Vários técnicos falarão sobre controle de qualidade, tecnologia e comercialização e linha de crédito.

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