Marcos Zanatta
De Maringá
De Zanatta - Maringá
A Unniversidade Estadual de Maringá (UEM) levou 15 anos de trabalho para começar a pasteurizar leite de cabra. ‘‘Faltam apenas algunas ajustes que vão garantir a qualidade do leite pasteurizado’’, afirma o professor Francisco de Assis Macedo, especialista em caprinos e ovinos do curso de Zootecnia da UEM. No Brasil, lembra ele, o consumo de leite de cabra está restrito a pessoas com algum tipo de problema de saúde.
‘‘Pelo menos 90% das pessoas que procuram o leite de cabra receberam recomendação médica’’, calcula o professor Assis. Menos ácido, o leite de cabra facilita a digestão. Por isso é muito indicado para crianças e idosos que apresentam alguma rejeição ao leite de vaca. Pacientes que enfrentam tratamento de quimioterapia e radioterapia também se beneficiam com o produto. O leite de cabra, segundo pesquisas, reduz a queda de cabelo e diminui a reação do organismo aos medicamentos durante o tratamento. O produto é também superior ao leite de vaca na concentração de cálcio, mantendo os mesmos níveis de proteína e gordura.
ProdutividadeO professor Assis lembra que, para chegar à produção do leite pasteurizado, contou com a colaboração do Centro Nacional de Pesquisas em Caprinos (CNPC), órgão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com sede em Sobral, Ceará. As cabras comuns da região passaram a ser cruzadas com espécies da raça Saanen, originárias da França e da Suíça. A produção média era de meio litro de leite por dia.
Desde 1985, quando começou o projeto, a UEM conseguiu melhorar a produtividade, hoje alcançando 3,5 litros por dia para cada animal.
O rebanho da UEM, o maior da região, conta com 70 fêmeas adultas. Pelo menos 20 em lactação, que garante uma produção diária de aproximadamente 70 litros. O litro será comercializado a R$1,50, na Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI), no distrito de Iguatemi, e no bloco 6 do campus de Maringá. ‘‘Queremos criar o hábito de consumo do leite de cabra, incentivando a criação’’, diz o professor Assis. A principal vantagem da criação de caprinos, explica ele, é o baixo custo e o manejo fácil dos animais.
Ele calcula que dos ‘‘quatro ou cinco’’ criadores da região, apenas dois produzem leite. Mas antes de incentivar a venda do leite, Assis acha importante formar uma associação. ‘‘Comecei a lutar pela entidade há pouco mais de dois anos, mas tive que parar por causa de outros compromissos e agora estou retomando a idéia’’, explica. Sem uma organização, o professor Assis acha que o mercado não será formado. ‘‘O preço definido como remunerador para o litro do leite é de R$1,50 a nível de varejo’’, explica.
Sem uma organização, o professor Assis alerta que os produtores acabam praticando preços desiguais, ou podem ‘‘descuidar’’ da qualidade. ‘‘Para compensar, o criador pode até colocar água no leite, comprometendo a qualidade do produto perante o consumidor’’, afirma. Mesmo se a iniciativa não formar mercado, Assis aposta em resultados para o criador. ‘‘Se acontecer excesso de produção, podemos transformar o leite em queijo. Que é até mais compensador’’, diz. Um quilo de queijo precisa de oito litros de leite de cabra, mas pode alcançar R$40,00 a nível de consumidor.

mockup