Busca por interessados continua

Foram feitas três reuniões para receber agricultores, no Sindicato Rural de Londrina, com objetivo de sensibilizar os interessados a quarta estava marcada para a tarde de sexta-feira (2), depois do fechamento deste caderno, e haverá um quinto encontro. A primeira atraiu cerca de 30 participantes, a segunda, 20 e a terceira contou com mais dez, apesar de o número de pessoas que buscaram informações por telefone ser bem maior.
Os debates promovidos reuniram técnicos, agentes de extensão rural e produtores, além de representantes de cooperativas de crédito e órgãos integradores. Além do Sindicato Rural, participam representantes de entidades como o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), UniFil, e cooperativas de crédito como Cresol e Sicredi.
Para o engenheiro agrônomo Eduardo Rubiano, o principal conceito nesse debate é a sustentabilidade. O termo se aplica à possibilidade de o pequeno produtor continuar no campo, à geração de riquezas e sucessão familiar, ao respeito ao ambiente e à promoção do consumo de alimentos saudáveis e naturais. "É um projeto para a vida, com organização empresarial, porque um pequeno agricultor, sozinho, não tem como atender uma indústria", diz.
Depois de formado, o grupo definirá o formato do trabalho, como sociedade empresarial, associação ou cooperativa. Rubiano lembra que, assim, será possível dividir tarefas de acordo com a habilidade de cada um. "Quem vai fazer a parte de comercialização e industrialização será esse grupo empresarial do qual ele é sócio. Ele será o dono do grupo e, junto aos demais, vai escolher um gerente, que será pago para se dedicar, fazer com que a empresa funcione e prestar contas aos associados."
Barreiras como a falta de mão de obra também são mais facilmente vencidas pela capacidade de pequenos produtores trabalharem com mão de obra familiar, já que as áreas são menores. "Mas, dentro das estratégias, temos outras alternativas, como roteiros turísticos em que se faz o 'colha e pague', que é uma ideia fantástica e diminui muito o custo, além da compra de maquinário pela associação", conta o agrônomo.
O promotor da iniciativa diz que o objetivo é evitar que os produtores fiquem nas mãos de atravessadores. "Juntos, a nossa relação com os intermediários será de mais respeito, com maior poder de negociação e com a possibilidade de transformar 80% da fruta para o consumidor em uma agroindústria", cita Rubiano.
APOIO TÉCNICO
Pesquisador em melhoramento de fruteiras de clima temperado do Iapar, Clandio Medeiros da Silva afirma que a entidade tem estudos com amora que mostram que se trata de uma cultura apropriada para agricultura familiar. Porém, para evitar prejuízos, coloca como importante que a associação de produtores fortaleça a troca de informações. "Às vezes a pessoa entra em uma atividade nova e acaba tendo de sair porque não deu certo, por falta de experiência", cita.
Ainda, o melhorista ressalta a necessidade de apoio para comercialização. "Conheço produtores que vendem tudo em polpa para São Paulo, mas o maior problema é ter para quem comercializar", diz, ao lembrar que a agroindústria e a escala de uma associação criam facilidades.
Silva cita o baixo custo de manejo para algumas culturas de berries. "Amora, mirtilo e framboesa têm praticamente só o investimento nas mudas", cita. "São culturas que, em áreas menores de um hectare, permitem que uma família de até três pessoas já consiga produzir, comercializar e ter uma renda extra", completa. (F.G.)





