Busca constante pelo equilíbrio
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Cristina Côrtes 
Mário CesarPreservaçãoNa exploração agrícola, o manejo adequado do solo evita o assoreamento dos riosQuando se fala em meio ambiente, o Paraná pode ser considerado privilegiado. Em termos de preservação, principalmente no meio rural, o trabalho de microbacia desenvolvido ao longo dos últimos anos faz com que o Paraná se destaque dos demais estados brasileiros em manejo de solos e água. Nesta semana em que se comemora o meio ambiente, a maior preocupação está com as condições das áreas próximas de centros urbanos.
Atualmente o programa Paraná Ambiental, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídrico (Sema), gestora da política ambiental do Estado, está desenvolvendo três linhas de ação que envolvem mais de 4 milhões de pessoas, cerca de 40 por cento da população paranaense, para melhorar ainda mais as condições atuais. Como afirma Norberto Ramon, da Superintência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa),o trabalho com o meio ambiente é uma tarefa contínua, não tem fim.
Os destaques do programa Paraná Ambiental são a reposição florestal para suprir a demanda de matéria-prima no Estado; a preservação de fundos de vale, para melhoria da qualidade da água e a economia dos recursos naturais.
ReflorestamentoA partir do ano que vem, a Sema quer atingir um ritmo de reflorestamento de 120 milhões de árvores por ano. A Reposição Florestal Obrigatória, o Serflor, é um sistema moderno de controle da contabilidade dos estoques de matéria-prima consumida. É uma descentralização da atividade do Governo Federal aos estados, atingindo diretamente 20 mil consumidores de matéria-prima florestal.
No programa Florestas Municipais, mais de 200 municípios estão envolvidos para cumprir a meta de produzir 40 milhões de mudas anuais. Estas mudas serão direcionadas à recuperação de matas ciliares, áreas degradadas, implantação de povoamentos florestais e arborização urbana.
Já no programa de proteção da Floresta Atlântica estão incluídos também os objetivos do ecoturismo e do desenvolvimento sócio-ecônomico. O Baía Limpa, por exemplo, está promovendo a despoluição das principais baias do Litoral, através da coleta de lixo feita pelos pescadores. No total, são 602 famílias de pescadores que recebem um salário-mínimo ou uma cesta básica por mês, em troca da coleta de lixo.
Mas, o programa não se restringe apenas a coletar o lixo e conscientizar pescadores. A segunda etapa do projeto, que já foi implantada, é oferecer novas alternativas de produção a partir da criação de ostras, peixes e camarões.
ÁguaO trabalho de controle da qualidade da água do Paraná tem sido desenvolvido em duas linhas: as águas superficiais, como rios, lagos, represas, nascentes; e as águas subterrâneas, os chamados aquíferos. Segundo informações do técnico da Suderhsa, Norberto Ramon, as condições da água nas áreas rurais são muito boas, principalmente nas microbacias onde existem trabalhos de manejo de solo.
Quando não há conservação, a água da chuva carrega terra e o que estiver em cima dela para dentro dos rios, comenta Ramon. Desde 86, quando se iniciou um trabalho mais efetivo de controle da água nos grande rios, não foram observados problemas de poluição. Os problemas ocorrem com mais frequência nos pequenos córregos e nascentes dentro de algumas propriedades, comenta.
A análise completa para verificação de contaminação por agrotóxicos ainda não é feita pelo Estado. Segundo Ramon, são mais de 250 princípios ativos que precisam ser analisados, e as indústrias não fornecem os padrões da composição de seus produtos, dificultando o trabalho. Portanto, quando se diz que a qualidade da água é boa, a afirmação é baseada em observações e dados sobre mortes de peixes. Como temos mais de duas mil áreas com outorgas para piscicultura, onde não foram registrados problemas com peixes, podemos concluir que a situação é boa, diz Ramon.
Com relação as condições dos aquíferos, o geólogo Jurandir Boz Filho diz que não tem conhecimento de nenhuma contaminação física, química ou bacteriológica importante. Já nas áreas urbanas, a situação é mais preocupante, com o crescente números de perfurações de poços. Nas grandes cidades como Curitiba e Londrina, só para citar alguns exemplos, grande parte dos lençóis freáticos estão contaminados, diz o geólogo.
Jurandir informa também que mais de 60% dos pequenos municípios do Paraná são abastecidos por águas subterrâneas. A preocupação maior do geólogo é que ao mesmo tempo que os aquíferos são mais difíceis de serem contaminados por estarem a uma profundidade muito grande (em média 300 metros), se houver contaminação é muito complicada a sua recuperação. Nas águas superficiais o trabalho de descontaminação normalmente é muito mais fácil, comenta. O técnico da Suderhsa alerta para os cuidados com a construção dos poços, recomendando uma boa proteção sanitária.


