Burocracia emperra crescimento
O piscicultor Patrick Moritz, de Cambé, produz aproximadamente quatro toneladas de pescado por ano em três tanques escavados. Atualmente, toda a produção de tilápia, piraputanga, pacu e tilápia tailandesa é destinada à Feira do Peixe Vivo de Londrina, realizada anualmente. Apesar do esforço, suas tentativas de ampliação da produção não têm sido facilitadas pela burocracia para liberação de licenciamento ambiental e, principalmente, de crédito para o investimento necessário. Há mais de um ano, Moritz tenta colocar em prática dois projetos em conjunto com outros piscicultores que, somados, possibilitariam uma produção de 410 toneladas de pescado por ano. ''O BNDES tem verba, mas ela não chega ao produtor. Para isso, precisamos de apoio do governo e do Ministério da Pesca'', critica.
Um dos projetos prevê a instalação de 19 tanques escavados na região de Londrina, totalizando 60 mil metros quadrados de lâmina d'água. Para concretização do projeto, seria necessária verba inicial de R$ 520 mil, sendo que R$ 390 mil seriam destinados à aquisição de ração. A intenção é de que a produção anual de 240 toneladas seja destinada ao estado de São Paulo. ''A liberação de crédito é muito burocrática e os planos safras das instituições financeiras geralmente não incluem a piscicultura. Assim, a compra de ração ou de alevinos tem prazo curto para pagamento e juros altos'', reclama.
O segundo projeto envolve a construção de 200 tanques rede em Primeiro de Maio, que devem somar uma produção de 170 toneladas por ano. O investimento inicial necessário seria de R$ 240 mil. ''O grande entrave nesse caso é o próprio Ministério da Pesca, que demora para aprovar a disponibilização de uso das águas públicas da União'', afirma. O piscicultor, que também é biólogo, desenvolve ambos os projetos em parceria com o Instituto Emater e conta ainda com apoio da Associação Norte Paranaense de Aquicultores (Anpaqui) e da Associação Brasileira de Criadores de Tilápia.
''O grande problema é conseguir as licenças para implantação e produção. Cada dia surge um empecilho a mais'', reclama o piscicultor. Segundo Moritz, outro grande problema é a concentração do lucro nas mãos dos intermediários da cadeia produtiva, tendo em vista que o quilo de tilápia é vendido a cerca de R$ 3,50 pelo produtor, enquanto o quilo de filé chega ao consumidor a R$ 17 em média. Moritz relata também que chegou a considerar deixar a piscicultura por enfrentar até mesmo o roubo de peixes na propriedade.(M.F.)





