A comunidade KM 14, em São Jorge do Ivaí, já foi sinônimo de sericicultura. Há 11 anos a região contava com 147 barracões de bicho-da-seda. Hoje, restam apenas 26. Cansadas de levar prejuízo com a atividade, seis famílias investiram na produção de buchas vegetais e garantem uma renda mensal de até três salários mínimos.
O casal Roseveltho Alves Martines e Maria José Lopes reflete a perseverança dos pequenos produtores da comunidade. Há cinco anos trabalham sozinhos na condução de 2 mil pés de buchas da variedade luffa cylindrica, que é usada na higiene pessoal. Toda a produção é vendida semanalmente para a agroindústria local, a um preço médio de R$ 0,40/unidade.
Com a renda obtida na plantação, o agricultor sustenta a família, a esposa, dois filhos e os pais. A produtividade esperada para esta safra é de 10 a 12 buchas/pé. ''O ideal era colher até 15 buchas/pé, mas a estiagem de janeiro comprometeu o andamento da lavoura'', explica. Problemas com nematóides também prejudicaram o parreiral, que foi transferido para uma nova área nesta safra.
A área destinada às buchas era anteriormente cultivada com pepino. O técnico em agropecuária Cesar Miguel Candeo dos Santos, da Emater local, conta que a empresa responsável pela compra da produção deixou a cidade, forçando os agricultores a procurar uma cultura alternativa. ''A bucha foi a melhor opção, pois possibilitou o aproveitamento da infra-estrutura já existente na propriedade'', diz.
No caso de Martines, parte do barracão que ainda é destinado à sericicultura é utilizado na secagem das buchas. O produtor cultiva 5 mil pés de amora para alimentar o restante da criação de bicho-da-seda e seu objetivo é transformar as amoreiras em parreiras de bucha gradativamente.
O próprio casal é responsável pela condução da lavoura e pela colheita, que ocorre duas vezes por semana. Maria José explica que no dia em que é colhida, a bucha é descascada e imersa em água, onde permanece de molho por 24 horas. ''No dia seguinte, retiramos as sementes e colocamos as buchas para secar'', completa a produtora. Depois de secas, as buchas são embaladas em fardos de 200 litros e entregues na agroindústria da comunidade.
As sobras da casca e de algumas sementes são usadas como matéria orgânica na própria lavoura. De acordo o técnico da Emater, a falta de pesquisas sobre a cultura limita o aproveitamento das sobras. ''Não sabemos o que fazer com tanta semente. A maior parte ainda é desperdiçada pelos produtores'', lamenta Santos.
Serviço: contatos com o empresário Marino de Paula pelos telefones (44) 8407-0939 ou 3026-1007; na Emater procurar o técnico César Candeo dos Santos no telefone (44) 3243-1233 ou e-mail: [email protected].

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