O Ministério da Agricultura deverá anunciar ainda este ano um programa de combate, controle e erradicação da tuberculose e da brucelose. A informação é de Vitor Salvador Gonçalves, veterinário do Departamento de Defesa Animal, que coordena o trabalho. As duas doenças, além de serem zoonoses (transmissíveis ao homem), causam prejuízos aos rebanhos brasileiros de carne e de leite e precisam ser controladas também por poderem tornar-se barreiras sanitárias no em alguns países do mercado internacional.
A exemplo do que foi feito com a febre aftosa, secretarias estaduais de agricultura, órgãos de pesquisa e todos os setores ligados à agropecuária deverão ajudar no combate às doenças. O programa irá instituir um certificado de propriedade livre para as fazendas que passarem por um processo de diagnóstico. Haverá também uma certificação de propriedade controlada. Essa certificação dependerá do sistema de produção.
Para a brucelose existe vacina e o pecuarista será agora obrigado a vacinar bezerras de 3 aos 8 meses de idade. No caso da tuberculose não existe vacina e o controle deverá ser determinado por novas exigências do Ministério da Agricultura. Hoje o indicado é identificar e eliminar animais positivos para a doença.
No caso da brucelose, hoje somente em Minas Gerais, as fazendas são obrigadas a vacinar. A brucelose é uma doença que causa o aborto em bovinos e queda na produção de leite. A vacina disponível no mercado é a B19, a mesma usada pelos produtores mineiros. Com o programa o ministério pretende também testar a vacina RB51, produzida nos Estados Unidos.
Segundo Vitor Salvador, será feita uma avaliação da vacina americana em animais adultos e se os testes forem positivos ela será um recurso adicional para os produtores. Isso porque o uso da B19 é limitado. Como é uma vacina de bactéria viva, é difícil de manipular e pode ser aplicada somente por um veterinário. Além disso, fica limitado o uso. Animais quando vacinados acima dos 8 meses de idade, quando adultos podem dar um resultado falso positivo em exames sorológicos.
A vantagem da vacina americana, segundo Salvador, é que ela parece não interferir nos exames de sorologias e, portanto, seria usada (se aprovada) para revacinar os bezerros que foram vacinados entre 3 e 8 meses de idade.
PrejuízosAs duas doenças causam prejuízos, mas são difíceis de serem quantificados. Isso porque manifestam-se de várias maneiras e pouco são notificadas. No caso da tuberculose, de acordo com dados do Instituto Biológico da Universidade de São Paulo, estima-se que 1% do rebanho nacional esteja contaminado, o que representa 1,6 milhão de animais.
Mas, a proporção pode ser ainda maior, já que muitos casos não são notificados. O Brasil tem um rebanho de quase 160 milhões de cabeças bovinas, dois quais 2,5% são suspeitos ou apresentam a sorologia positiva. Além disso, suspeita-se que há focos em 10% das fazendas.
Segundo o chefe da Defesa Sanitária Animal, da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Felisberto Baptista, no Estado, tanto a tuberculose quanto a brucelose são importantes.
A brucelose é mais problemática na pecuária de corte e causa prejuízos porque os animais ficam doentes, mas fica difícil de perceber. A produção reduz e há abortos. Depois de um tempo, as fêmeas páram de abortar, mas funcionam como transmissoras; por isso têm maior impacto no rebanho.
Na tuberculose também há diminuição na produção e no desenvolvimento dos animais. É uma doença crônica, respiratória, e se manifesta por lesões em diversos órgãos do corpo do animal.
Restrição de mercadoDe acordo com Baptista, tanto a brucelose quanto a tuberculose são consideradas barreiras sanitárias, mas estão no que se chama de ‘‘lista B’’ da Organização Internacional de Epizootias (OIE).
A OIE é um órgão internacional do comércio que trata do controle de questões sanitárias na área animal e produtos de origem animal e tem duas relações de doenças em animais que restrigem a liberação para comércio internacional. A aftosa, por exemplo, está na primeira relação.
A demora em descobrir e depois tratar das duas doenças fica caro, por isso é preciso identificar o problema e quais as regiões onde a incidência é maior. Os custos para o tratamento da brucelose variam de região para região. A vacina custa em média R$0,20 a dose, mas a aplicação envolve custos com técnicos e especialistas. No caso da tuberculose o custo de tratamento, de acordo com alguns técnicos, fica inviável, superior ao valor do animal, o que não compensa para o criador. Daí a afirmação dos técnicos de que não há tratamento para a doença.

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