Brucelose ainda ameaça rebanho do PR
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sexta-feira, 15 de julho de 2005
Reportagem Local 
Abortos e outros problemas reprodutivos são os principais males causados pela bactéria Brucella abortus. Ela é responsável pela brucelose, doença que ainda ataca o rebanho bovino do Paraná causando prejuízos econômicos significativos. A última pesquisa sobre a doença foi realizada em 2002 no Paraná, nessa época 2,34% do rebanho poderia ter a doença.
Com o início dos programas federal e estadual de controle e erradicação da brucelose e tuberculose animal no ano de 2001 e da obrigatoriedade da vacinação das fêmeas o número de animais propensos à doença está diminuindo, acredita veterinária Mariza Kolada, da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). Ela coordena o programa estadual e explica que há duas linhas de ação, a primeira exige a vacinação das fêmeas com idade entre 3 e 8 meses. A outra ação é a adesão voluntária por parte dos produtores no qual eles monitoram a existência da doença na propriedade e, dessa forma, recebe um selo do governo de propriedade livre da doença, cita Mariza.
De acordo com Mariza o índice de vacinação no Paraná alcança média de 60 a 65% dos animais. O rebanho do Estado é de aproximadamente 11 milhões de cabeças. Para passar para a segunda fase do programa no Estado a erradicação da doença Mariza avalia que a vacinação deveria alcançar praticamente todo o rebanho e o índice máximo de probabilidade da doença deveria chegar a 0,2%.
O coordenador da defesa sanitária animal de Londrina, Carlos Alberto Bonezzi, menciona que os cerca de 4 mil pecuaristas dos 19 municípios da região estão conscientes quanto a necessidade de proteger os rebanhos e por isso estão, gradativamente, aderindo ao programa.
Bonezi salienta as perdas econômicas para os produtores causadas pela doença. Como a brucelose é um mal que não tem cura e pode ser transmitida ao homem os animais cujo diagnóstico da doença é confirmado precisam ser sacrificados. ''Os animais doentes devem se eliminados e os produtores precisam investigar se há outros exemplares doentes'', orienta.
Para verificar a existência de brucelose no rebanho é feito um exame de sangue nos animais, explica Bonezi. Para padronizar a realização desses exames, diagnósticos e vacinação do rebanho, desde o início do programa, os veterinários precisam fazer cursos de treinamento para realizarem essas tarefas.
Os exames da doença são feitos de acordo com o tipo de rebanho, de corte ou leiteiro, para monitorar a existência da brucelose com mais ou menos frequência. Mariza cita o exemplo que algumas empresas de beneficiamento de leite solicitam exames do rebanho a cada seis meses.
A coordenador estadual revela que a doença pode ser transmitida ao homem por meio do leite in natura e queijos tipo frescal. Por isso há necessidade de controle mais rigoroso por parte das empresas de laticíneos. A bactéria, segundo ela, morre durante a fervura do leite. Mariza garante que carnes com carimbo de inspeção do Ministério da Agricultura dão a segurança necessária ao consumo dos produtos.
Um dos problemas no combate da brucelose é o comércio de animais que acabam sendo transportados clandestinamente pelo interior do Estado, alerta Mariza. Nas negociações que exigem autorização para transporte de animais a liberação para esse deslocamento é concedida apenas com as vacinações dos animais em dia. Para evitar que algum animal contaminado com a bactéria seja adquirido e traga prejuízos na propriedade o conselho é que o comprador sempre exija as notas que comprovam a vacinação contra a brucelose.


