O diretor presidente da Bratac, Shigeru Taniguchi Junior: "Possuímos toda a estrutura necessária para quem deseja iniciar na atividade"
O diretor presidente da Bratac, Shigeru Taniguchi Junior: "Possuímos toda a estrutura necessária para quem deseja iniciar na atividade" | Foto: Gustavo Carneiro


É incrível pensar que a única fiação de seda do hemisfério ocidental do globo tem sede localizada em Londrina e é responsável por toda a produção nacional – no sistema de integração – com sericicultores do Paraná (82% da produção), São Paulo (12,5%) e Mato Grosso do Sul (5%). E mesmo comandando o mercado, a empresa precisa trabalhar duro para receber um maior volume dessa matéria-prima associada, claro, com qualidade extrema para atender, principalmente, o mercado externo.

Em 11 meses de trabalho – parando apenas 30 dias no período de entressafra – a empresa consegue produzir em torno de 530 toneladas de fio de seda anuais em duas plantas industriais, uma alocada em Londrina e a outra em Bastos, interior de São Paulo. São aproximadamente mil funcionários no chão de fábrica, 80% mulheres, devido a sensibilidade delas em trabalhar com um produto extremamente delicado.

O diretor presidente da Bratac, Shigeru Taniguchi Junior, relata que hoje a empresa tem capacidade de absorver facilmente 20% a mais de matéria-prima, podendo ultrapassar a marca de 600 toneladas por ano. Para isso, a busca por novos produtores e incremento de produtividade dos que já estão na atividade é fundamental. Vale dizer que na década de 1990 aproximadamente oito mil famílias de sericicultores estavam integradas com a Bratac. "Temos feito a divulgação e possuímos toda a estrutura necessária para quem deseja iniciar na atividade. Basta a pessoa descobrir que existe esse mercado", salienta.

Ele explica que a empresa tem trabalhado forte para desenvolver mecanismos – como catracas e correias – para melhorar a ergonomia dos sericicultores, produzindo mais com menor esforço. "A chave do sucesso é a produtividade com qualidade. Acreditamos que em cinco anos no máximo podemos atingir esse novo volume, arregimentando mais produtores e fazendo com os que estão na atividade também sejam mais produtivos."

Se no passado o País contava com aproximadamente 15 fiações atuando com a seda, o presidente acredita que a Bratac foi a única que permaneceu na atividade por ter uma produção exclusiva com o produto e uma estrutura verticalizada. "A Bratac tinha só o fio de seda como produto e por isso sobrevivemos. Demos foco no trabalho e não dependemos de ninguém para produzir o nosso fio."

Atualmente, das 530 toneladas produzidas pela empresa, 45% são exportadas para o Japão (incluindo indústrias japonesas alocadas no Vietnã) e 45% para a Europa. O grande concorrente é a China, que detém 80% da produção mundial. "A briga com a China não é em qualidade, mas sim em preço. Mas acredito que nos próximos anos podemos aumentar o nosso market share no mundo."

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