Mais de 500 mil brasileiros vivem da apicultura e meliponicultura atualmente. A produção nacional de mel atinge 45 mil toneladas (t) por ano, sendo que mais de 20 mil t são destinadas ao mercado externo, com destaque para a Alemanha. No entanto, apesar do Brasil exportar o excesso de mel, o consumo interno ainda é baixo. Enquanto os alemães consomem anualmente até 2,4 quilos (kg) de mel per capita, o consumo brasileiro não supera 100 gramas per capita ao ano. ''Isso porque o mel ainda é visto pela população como um remédio e não como um alimento rico em nutrientes'', afirma o produtor Jairo Siqueira, de Ortigueira.
Ele culpa a falta de divulgação como principal causa do baixo consumo. Para ele, uma forma de incentivar a população seria inserir o mel e também o pólen na merenda escolar. ''Algumas escolas do Nordeste e de São Paulo já fornecem aos alunos o mel em forma de sachês'', aponta. Entretando, o produtor ressalta que o atual preço praticado em supermercados e lojas especializadas ainda é um fator limitante para a compra.
Em Londrina, por exemplo, o mel é vendido em média a R$ 16,50/kg no varejo, enquanto o produtor recebe cerca de R$ 4,00/kg pelo produto já decantado. ''Para o produtor o preço está ótimo'', declara o apicultor londrinense Bernardo Fajardo.
Siqueira concorda, apontando que o mercado interno representa, hoje, a principal fonte de renda do setor. ''Com o retorno dos chineses ao mercado exportador, o mel brasileiro perde espaço internacional'', diz. Ele explica que por ser o maior produtor mundial, a China consegue oferecer mel a até US$ 0,80/kg, enquanto o mel brasileiro chega a R$ 2,50/kg para exportação. ''É o momento do Brasil passar de exportador para importador'', sugere o produtor.
A mudança no cenário não se deu apenas com a volta do mel chinês, mas também com a queda na produção nos dois últimos anos. Segundo Siqueira, a chuva e a falta de investimentos em tecnologia comprometeram a produção nacional. ''Os produtores brasileiros não vêem o mel como uma cultura de investimento e sim de extração'', declara.
Em 2003, Jairo Siqueira chegou a exportar 120 t de mel para a Alemanha e se preparava para uma entrega ainda maior no ano seguinte. Este ano, apenas 10% da produção será exportada. ''Tudo o que produzo é vendido no mercado interno. Quando recebo pedidos internacionais preciso comprar mel de terceiros para conseguir atender a demanda'', conta.

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