Produtos agrícolas dos EUA têm sido subsidiados ao longo dos anos, em detrimento da produção agropecuária do Brasil e outras nações latino-americanas. Os EUA criaram barreiras e cobram 45,6% dos principais produtos brasileiros que importa, deste país, enquanto o Brasil cobra apenas, em média, 14,3% dos produtos americanos que compra.
Citado pelo Jornal do Senado, o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) lembra relatório da embaixada brasileira: se fossem retiradas as barreiras de apenas nove produtos brasileiros (suco de laranja, produtos siderúrgicos, açúcar, calçados, fumo, gasolina, camarão, álcool etílico e óleo de soja), as exportações brasileiras seriam aumentadas em US$ 831 milhões, correspondendo a mais 50% sobre o valor médio das exportações desses produtos em 1997 e 1998.
O Senador acrescentou que um dos aspectos destacados é a diversidade das barreiras às exportações nacionais: obstáculos tarifários, sanitários, restrições na forma de cotas, acusações artificiosas de dumping, dificuldades burocráticas, subsídios oferecidos pelos EUA a seus produtores, além de restrições advindas de normas técnicas, trabalhistas, ambientais, federais e até municipais.
Em todos os sentidos, os Estados Unidos falam uma coisa, defendem uma idéia para o mundo, e outra para si, isto é, pregam uma ação ao mundo, e outra para os americanos. Exemplo 1: restrições aos produtos brasileiros ‘‘contrastam com a pregação que os Estados Unidos fazem em favor de uma abertura comercial mundial geral e irrestrita’’.
Essa abertura deveria ser assim: o frango brasileiro é exportado em pedaços, conforme a vontade do cliente. Assim como acontece com a fáfia, exportada em forma de matéria-prima para a Coréia, o produto pronto agrega valores nos locais de importação, industrialização e/ou comercialização.
E a laranja, que para maior comodidade sai do Brasil em suco concentrado; o ferro, que vai para o Japão, Estados Unidos e Alemanha? É transformado nos países importadores, a exemplo do fio de seda brasileiro, que vira tecido de seda no Japão, onde se acham as tecelagens.
Enquanto as nações abastadas trabalham no enriquecimento maior, usando os pobres, a ONU elabora um plano de ação da Cúpula Mundial da Alimentação, assinado em 1996, em Roma, por 186 países. Nesse plano os signatários comprometem-se a elaborar programas de modo a reduzir a fome das populações dos países em desenvolvimento. Naquele ano, 790 milhões de pessoas sofriam fome, no mundo. A ONU queria diminuir esse número pela metade até 2015.
No Dia do Trabalho, 1º de maio, o presidente dos EUA, George W. Bush, resolveu dar um ‘‘presente’’ americano à Humanidade: ele quer criar um sistema de guerra antimíssil, contra a ameaça dos ‘‘Estados Párias’’. Bush não disse quais são esses ‘‘Estados Párias’’. O objetivo da nova ‘‘guerra nas estrelas’’, assim chamado por sua semelhança com o projeto ‘‘ Guerra nas Estrelas’’ que o então presidente americano Richard Nixon e o soviético Leonid Brejenev, proscreveram em 1972.

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