O consumo do café voltou a crescer no Brasil, depois de uma drástica redução entre os anos de 1965 e 1985 - neste período, o consumo per capita baixou de 4,72 kg/ano para 2,27 kg/ano. De acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), no ano passado o brasileiro consumiu, em média, 3,34 kg/ano. A estimativa, para 97, é de 3,86 kg/ano.
Segundo o secretário geral da Associação, David Nahum Neto, o mercado nacional foi o que mais cresceu nos últimos dois anos no mundo inteiro. ‘‘Os brasileiros consumiram 2 milhões de sacas a mais de caf钒, observa. Para chegar a estes resultados, algumas estratégias foram desencadeadas a partir do final da década de 80. Na época, uma pesquisa feita no País constatou que para os brasileiros ‘‘todo café era igual e todos de má-qualidade’’.
Fatos como este motivaram a criação de um dos maiores projetos de marketing dos últimos anos no setor de alimentos e bebidas. O trabalho foi iniciado com o Programa de Controle de Pureza do Café Torrado e Moído/Selo de Pureza ABIC, e continuou através de sucessivas campanhas, sempre dentro de uma linha temática, visando ao estímulo do consumo e valorização do café. Também foram transmitidas ao consumidor noções sobre qualidade e variedades do produto existentes no mercado.
Café faz bemEm 95, um dos tabus existentes em relação ao setor começou a ser quebrado. A idéia de que a bebida faz mal à saúde foi questionada pelo médico e professor Darcy Lima, que desenvolveu pesquisa sobre a ação benéfica do café sobre o organismo humano. Campanhas ressaltando a saúde e a qualidade do produto junto ao consumidor foram realizadas nos anos de 95 e 96, e os resultados, de acordo com David Nahum Neto, foram sentidos diretamente no consumo, que subiu de 2,10 quilos per capita em 1988 para 3,34 quilos em 96, com previsão de 3,86 quilos para este ano.
Para o secretário geral da ABIC, o fortalecimento e crescimento do mercado doméstico dos países produtores significa maior escoamento da produção internamente; menor dependência das exportações; redução da oferta para exportação, valorizando o produto internacionalmente; fortalecimento da economia do setor e do País; e melhoria do nível tecnológico e de qualidade de toda a agroindústria do café. O aumento do consumo interno cria condições para mudar o patamar de crescimento do consumo de café no mundo para níveis de 2 a 2,5% ao ano.

mockup