Josoé de CarvalhoCustoA catação e seleção manual é um dos fatores que encarecem o preço do feijão industrializado‘‘Nove entre dez brasileiros preferem feijão’’. Este verso da música popular não revela mais a verdade sobre os hábitos alimentares de grande parte dos brasileiros, que trocaram o feijão por outras alternativas alimentares.
Nas últimas décadas o consumo per capita vem apresentando grandes variações: nos anos 70 o consumo era de 21,5 kg/habitante/ano; em 80 caiu para 13,6 kg/habitante/ano; em 90 aumentou um pouco para 14,6 kg/habitante/ano e em 96 chegou a 19,2 kg/habitante/ano. Considerando-se o aumento da população nesses anos, o consumo tem se reduzido significativamente.
Segundo a pesquisadora da Embrapa-Arroz e Feijão, Lídia Pacheco Yokoyama, entre os diversos fatores que contribuíram para a queda do consumo de feijão, dois se destacam: questão de preço e mudanças de hábitos. ‘‘A correria da vida moderna nas grandes cidades reduz o tempo disponível para o preparo das refeições e as donas-de-casas têm dado preferência a alimentos de preparo mais rápido, como o macarrão, ou mais baratos como carne de frango’’, comenta Lídia. A industrialização do feijão pode abrir novas perpectivas de mercado para o produto, analisa a pesquisadora.
Fonte de proteínaApesar do consumo ser menor hoje, o feijão ainda é uma importante fonte de proteína na dieta alimentar do brasileiro. Com o objetivo de estimular este consumo, novos processos de industrialização vêm sendo desenvolvidos. A Embrapa quer identificar as variedades com maior potencial de aproveitamento industrial, visando atender interesses dos produtores, industriais e consumidores em geral.
A primeira indústria no Brasil a se dedicar ao processamento e industrialização de feijão está instalada no Paraná, e começou a produzir em fevereiro deste ano. A novidade está sendo comercializada nos grandes centros. É o feijão cozido, temperado e embalado à vácuo. Reduz o tempo de preparo, conservando as mesmas propriedades naturais dos grãos.
O Brasil produziu, nas três safras, 3 milhões e 36 mil toneladas de grãos (safra 95/96), para um consumo de 3 milhões e 30 mil toneladas. O Paraná é o maior produtor do País, tendo produzido 490,5 mil toneladas na safra 95/96 com uma produtividade média de 823 kg/ha. Neste mês de maio os produtores iniciam o plantio da terceira safra.
TecnologiaA empresa iniciou suas atividades em 96, processando batatas cozidas com empacotamento à vácuo. A tecnologia para a produção das batatas é francesa. E segundo o gerente industrial da empresa, Maurício Proença, esta tecnologia foi adaptada no Brasil para a produção de feijão, produto que não é consumido na França.
O feijão vem cozido e temperado com essências desidratadas naturais, necessitando apenas de adicionar água e aquecer por 15 minutos para o consumo. O produto é embalado à vácuo, dispensando a conservação em geladeira ou freezer. A produção atual da indústria é de 80 toneladas mês, mas sua capacidade é de 300 toneladas/mês. O produção não tem nenhum conservante, garante Maurício Proença.
Tanto o feijão preto quanto o carioca estão sendo comercializados nos mercados de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, em pacotes de 500 gramas, pelo preço de R$ 0,90 a R$ 1,00 o feijão preto, e de R$ 1,00 a R$ 1,20 o feijão carioca. O produto também tem embalagens de 2 kg destinadas ao consumo em restaurantes, merenda escolar, hospitais e quartéis.
Por enquanto, o produto está sendo mais consumido pela classe média alta, mas a direção da empresa está empenhada em atingir também as classes menos favorecidas.
PreçoSegundo a pesquisadora Lídia Yokoyama, os preços praticados hoje pela indústria não são competitivos, pois o feijão cozido custa praticamente o dobro do feijão cru. Mas o objetivo da empresa é reduzir este preço a médio prazo.
Um dos itens apontados pela pesquisadora como responsável pelo encarecimento do produto é o processo de seleção e catação dos grãos antes de seu cozimento. A empresa ainda depende da catação manual para eliminar pedras e demais impurezas. A matéria-prima selecionada tem um custo adicional de R$ 5,00 por saca de feijão.‘‘Quando o processo passar a ser mecanizado, deverá haver redução de custos’’, acredita Lídia.
O processamento pós-colheita de alimentos abre maiores perspectivas de aproveitamento e rentabilidade. No caso do feijão, pode minimizar possíveis problemas de abastecimento na entressafra e as constantes flutuações de preços de mercado.
Serviço>:A empresa que está industrializando feijão é a Vapza, instalada em Castro. Informações pelo fone 0800-41-1311.

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