Brasil volta a vender no exterior
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sexta-feira, 02 de março de 2001
Da Redação 
Nos últimos quatro anos a produção de algodão do Mato Grosso cresceu de 70 mil toneladas para 460 mil toneladas ( estimativa para safra 2000-2001). Como resultado, o Brasil, que foi tradicionalmente um dos maiores importadores de algodão do mundo, poderá esse ano exceder a demanda interna com uma colheita estimada em 861 mil toneladas.
A previsão da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), indica que se a tendência atual de produção continuar, como é de intenção dos produtores, o algodão poderá ser o próximo sucesso de exportação agroindustrial do Brasil, seguindo o mesmo caminho da laranja, carne e soja.
Preços futuros, segundo dados da Abrapa, determinarão a taxa de crescimento de produção. A entidadade prevê a médio prazo que o País substituirá a Austrália como segundo maior exportador.
A notícia sobre a produção brasileira já alcançou os jornais do exterior. Em matéria publicada no Financial Times de Londres, no mês de fevereiro, produtores brasileiros falam com entusiasmo sobre a cultura.
De comprador a vendedor Há quase duas décadas o Brasil era um fornecedor de algodão no mercado mundial, com uma produção próxima a 1 milhão de toneladas. Altas tarifas, ineficiência e importações baratas no mercado, retiraram desse mercado os produtores do Sudeste e Nordeste do Brasil.
Os produtores brasileiros, especialmente os do Mato Grosso, dizem estar retomando esse mercado. A idéia de plantar algodão no Mato Grosso surgiu como opção de substituir milho na rotação com a soja, a principal cultura da região.
Cultivo arriscadoTentativas anteriores no Norte do Mato Grosso falharam no final da década de 70. Ainda assim um esforço de pesquisa conjunta entre empresas pública e privada iniciada em 1992, resultou em nova variedade de algodão, adaptada às condições da região. Foi o diferencial em produtividade, disse Benjamim Zandonade, ao jornal inglês.
Zandonade, que fez o primeiro plantio de algodão no Centro-Oeste a 10 anos, conta que na época outros fazendeiros não acreditaram em sucesso com a lavoura. O produtor afirma que não só provou que esses fazendeiros estavam errados, mas centenas de produtores seguiram seus passos.
Custos compensam Atraídos por incentivos estaduais temporários e promessas de retornos entre 20 a 25%, mais produtores no Mato Grosso abandonaram a soja e apostaram no algodão. Com conhecimento insuficiente e investimentos quatro vezes maior que os custos da soja, a troca não foi fácil. Muitos fazendeiros compraram colhedeiras usadas e beneficiadoras de empresas que fecharam no Sudeste do Brasil.
Pragas e controle de doenças ainda são um desafio, somando 45% do custo de produção. Uma nova variedade resistente a fungo está sendo desenvolvida por empresas de biotecnologia para reduzir as despesas.
A viagem de dois mil quilômetros, com inúmeros impostos estaduais, até o porto no Sudeste do Brasil, soma outros 5% ao preço final do produto. Ainda assim, a mecanização intensiva no cultivo gera economia de escala. As chuvas páram durante o período de maio a setembro, permitindo uma colheita num período seco. Como resultado a produtividade fica entre 3.500 kg por hectare, comparado com a média nacional de 843 quilos em 2000.


