Brasil vai exportar leite
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sexta-feira, 24 de maio de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
Uma empresa de Londrina faz parte da primeira companhia trading brasileira dedicada à exportação de leite. A Confepar, que reúne oito cooperativas da região, é uma das integrantes da Serlac, formada também pelas cooperativas Itambé e Cooperativa Central de Leite do Estado de São Paulo, as indústrias Embaré e Ilpisa e a trading Sertrading.
Criada em 10 de maio, a nova empresa deve vender, no primeiro ano de atividade, 10 mil toneladas de leite em pó, que deverão render ao País US$ 20 milhões em divisas. Os laticínios brasileiros receberão rótulos com a marca Brazilian Dairy Board. A iniciativa repete a estratégia dos produtores da Nova Zelândia que conseguiram criar uma forte marca nacional, garantindo exportações para 78% da produção do país.
Vendas na safraRenato José Beleze, diretor-presidente da Confepar, informou que a empresa londrinense iniciará sua participação no mercado de exportação comercializando 150 toneladas de leite em pó mensais. As vendas devem se concentrar no período de safra que vai outubro a fevereiro, quando há excedente da produção. O volume ainda é pequeno, mas permitirá conhecermos esse novo mercado, acredita.
De acordo com ele, a constituição da Serlac beneficiará todo o setor de pecuária leiteira. A trading vai tirar excendente de matéria-prima do mercado interno, permitindo que o preço médio do leite se conserve mais alto, disse, acrescentando que a iniciativa é um primeiro passo para organizar a cadeia e impedir a queda de preços.
InvestimentosPara atender às exigências do mercado externo, a Confepar investe na renovação de sua indústria. A planta industrial está sendo automatizada para evitar erros humanos. A empresa também comprou novos pasteurizador, homogenizador, centrífuga e concentrador, que segundo Beleze permitirão aumentar o volume de produção, melhorar a qualidade e reduzir custos.
Para viabilizar essas melhorias, foram investidos R$ 8 milhões. Como a renovação atinge todo o leite produzido pela empresa, os consumidores internos também serão beneficiados.
Os investimentos iniciais de todos os membros da Serlac somam R$ 1 milhão. Os recursos serão aplicados em campanhas de marketing e na estrutura da nova empresa. Um escritório será aberto no Brasil nessa primeira etapa e dentro de seis meses, o objetivo é instalar um escritório de representação no Norte da Europa. Os recursos investidos são dos próprios sócios da companhia. A Sertrading é dona de metade da nova empresa e os 50% restantes divididos entre demais associados.
Mercados possíveisO objetivo inicial da Serlac é atingir mercados do Norte da África (Argélia, Tunísia e Egito) e, posteriormente, da América Latina e dos países do Oriente Médio. Nos três primeiros anos, a expectativa é dobrar, a cada ano, os volumes vendidos. O primeiro produto a ser exportado é o leite em pó mas a médio prazo, a empresa colocará no mercado intrnacional produtos como manteiga, queijo e leite condensado.
O Brasil, aliás, possui características para se tornar bastante competitivo no mercado de leite condensado e creme de leite. Conforme Renato Beleze, o País conta com boa oferta de leite, aço e açúcar a preços acessíveis, que constituem a matéria-prima para fabricação desses artigos. Além disso, dominamos a tecnologia de produção, comentou.


