Brasil terá que provar sanidade
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sábado, 03 de fevereiro de 2001
Da Redação e Agências 
A notícia sobre a ocorrência de casos da doença scrapie em rebanhos ovinos no Paraná reacendeu a discussão sobre a probabilidade da doença da vaca louca, a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), aparecer no Brasil nos rebanhos para produção de carne. Técnicos e cientistas acreditam que a scrapie pode ter dado origem a doença Encefalopatia Espongiforme dos Bovinos (EEB) na Europa, conhecida como doença da vaca louca.
Depois da comunicação oficial à Organização Internacional de Epizootias (OIE) sobre os casos de scrapie foram levantadas hipóteses de que a importação de animais ou de farinha animal para uso na ração, provenientes de países da Europa, poderiam ter trazido a doença para o País.
Países concorrentes aproveitaram a oportunidade para deixar dúvidas e explorar comercialmente o assunto, mesmo que as evidências mostrem que a probabilidade de surgir casos da doença da vaca louca no Brasil seja mínima.
Informações do rebanho De olho no prejuízo que essa suspeita poderia causar ao mercado de exportação e também a saúde pública, o Governo garante que está tomando atitudes rápidas, tanto no controle dos focos, como no esclarecimento de como surgiram e de suas possíveis relações com a doença da vaca louca.
Além disso, está sendo providenciado um levantamento das importações de animais da Inglaterra e de outros países na Europa, assim como um rastreamento desses animais e de seus descendentes dentro do território brasileiro, nos últimos 20 anos.
O Ministério da Agricultura divulgou esta semana as medidas para garantir que o Brasil continue livre da doença da vaca louca. Até agora não foram registrados oficialmente casos da doença no País, mas as medidas são preventivas e serão colocadas em prática na próxima semana. Fica proibido a fabricação de ração animal a partir de carne, osso e gordura de equinos, suínos, e outros animais no País.
O Ministério também fará o rastreamento de quase 5 mil bovinos que foram importados de países da Europa. O Ministério da Agricultura está pedindo a colaboração de todos os componentes da cadeia da carne, no sentido de conhecer, praticar e divulgar os procedimentos necessários para evitar o surgimento de casos da doença no rebanho brasileiro. Para isso deverão cumprir as normas estipuladas pelo governo e denunciar quem não as cumprir. Já se fala na criação de uma legislação específica para punir os infratores.
As associações de criadores de bovinos, de acordo com fontes do MA, deverão fornecer informações sobre bovinos importados da Europa para reprodução nos últimos 20 anos. O levantamento terá que conter informação sobre o país de origem, data de registro no Brasil, endereço do proprietário e informação sobre os motivos da morte do bovino, caso não viva mais. No caso dos bovinos mortos, as associações vão informar também a causa da morte. Em alguns casos, também está sendo pedida informação sobre filhos do animal importado.
Garantias de saúde Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do MA, Luiz Carlos de Oliveira, o rastreamento vai começar pelos animais provenientes da França e da Alemanha, países que desde o ano passado passaram a ser considerados de risco para a transmissão da doença da vaca louca. O objetivo é oferecer garantias à comunidade internacional de que o rebanho bovino brasileiro é saudável.
Algumas das principais raças importadas da UE foram limousin, simental, holandês, pardo-suíço, blonde, devon, charolês e jersey. O secretário garante que até hoje, nenhum animal foi diagnosticado com sintomas da EEB, doença de notificação obrigatória ao Ministério.


