Brasil tem tecnologias de ponta
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sábado, 09 de dezembro de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
Inseminação artificial, transferência de embriões, fertilização in vitro, já disponíveis para uso na reprodução de animais foram adotados em maior escala somente nesta última década. Mesmo assim, ainda não são práticas corriqueiras. Apenas os pecuaristas que fazem parte de grandes grupos, que trabalham com melhoramento genético, têm recursos para adotar tecnologias que permitem velocidade na procriação de animais de qualidade.
O conhecimento científico na área de melhoramento foi veloz e o País detém tecnologias. A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de Brasília (DF), que trabalha há vários anos em pesquisas na área de biotecnologia, deverá conseguir no ínicio de 2001 o primeiro bezerro clonado. Depois de várias tentativas, se tudo correr bem, uma vaca nelore deverá parir o primeiro clone brasileiro. Depois, o desafio será viabilizar a tecnologia. Um desafio para o Milênio.
Acesso a tecnologiasA evolução na aplicação de tecnologias de melhoramento genético deverá sempre esbarrar nas questões econômicas. O pecuarista deve pensar quanto vale seu produto e considerar, em função dos resultados e índices técnicos já conseguidos no melhoramneto, a viabilidade da adoção dessas tecnologias. Quanto maiores forem os índices positivos, maior será o acesso de outros produtores e os custos irão se reduzindo.
Foi assim com a inseminação artificial, embora a prática ainda seja pouco adotada no País (calcula-se que nem 5% do rebanho brasileiro de 160 milhões de cabeças sejam inseminados) e com a transferência de embriões que coloca o Brasil hoje como terceiro no mundo, em volume, na adoção da tecnologia. Por ano, são realizadas 70 mil transferências no País. A tendência agora é a fertilização in vitro também fique viável para um maior número de criadores.
Como foi a evoluçãoDa seleção clássica, feita a olho nos primeiros cruzamentos entre animais, até a clonagem, cientistas têm trabalhado em técnicas para aprimorar geneticamente a produtividade dos rebanhos. A inseminação artificial foi adotada a partir da década de 50. Na década de 70, aliada à inseminação, veio a transferência de embriões. Nos anos 80 a bipartição de embriões, produzidos pelos métodos da inseminação e transferência de embriões, aumentou em 50% a eficiência da própria transferência de embriões.
Os estudos da fertilização in vitro foram iniciados nos anos 90. Em 1994 nasceram os primeiros bezerros produtos de embriões, produzidos em laboratório e depois transplantados para vacas receptoras. Em 1995 veio a punção folicular, em conjunto com a fertilização, que tornou possível obter até 36 bezerros por ano de uma só vaca doadora de embriões. Em 1996 nasceu o primeiro bezerro dessa tecnoloiga e, em 1998, animais comerciais dessa técnica.
Outro salto da pesquisa foi a sexagem de embriões, com a seleção do sexo do embrião a ser implantado. A técnica é indicada na pecuária leiteira, para uso somente de embriões fêmeas na transferência e descarte dos embriões machos.
Clonagem no mundoOs cientistas também tentam avançar na clonagem de animais. Já conseguiram, na última década, em 1997, na Inglaterra, clonar uma ovelha, a Dolly e, nos Estados Unidos, macacos. Ainda em 1997 uma empresa americana clonou o primeiro bovino a partir de embriões. Em 1998, cientistas de uma Universidade do Havaí conseguiram produzir com ratos o mesmo método usado para fazer a Dolly. Em 1999 foi clonado o primeiro mamífero macho, o rato fibro.
Desafio brasileiroHoje as tecnologias disponíveis da biotecnologia, além da inseminação, transferência de embriões e métodos afins, como congelamento de embriões, bipartição de embriões e sexagem, a fertilização in vitro e a punção folicular, o desafio da pesquisa está centrado na crioperservação de ovócitos.
O trabalho seria o de retirar e congelar óvulos de fêmeas, para formação de um banco de óvulos que, junto com um banco de sêmen, possibilitaria ao pecuarista fazer os acasalamentos mais indicados e produzir bons animais para carne ou leite.
Nos próximos anos o que deverá ficar mais acessível deverão ser as técnicas de clonagem e transgenia, especialmente para uso em grandes programas de melhoramento genético. No caso da clonagem pode-se prever um banco de células de animais elite e a regeneração desses animais.


