Brasil tem safra e tecnologia. Falta...
No meio da semana a soja para entrega futura teve alta na Bolsa de Chicago, passando para US$ 273,93 a tonelada, para entrega em março. Baixos estoques americanos, principalmente, estão tendo reflexos positivos hoje, mas vem aí a colheita brasileira, quando o Paraná deve ser o maior produtor nacional de soja.
Então, no momento em que o mercado internacional registra alta, aqui é bom ficar atento, porque entrada de safra nova em geral tem como efeito imediato a queda nas cotações internas. Análises de comercialização acham-se na Folha Agromercado, que circula nesta edição, e na página 4 da Folha Rural. Pergunta-se: qual o momento apropriado para vender a mercadoria?
Quase sempre quem leva a ‘‘parte do leão’’ dos agronegócios é quem está da porteira da propriedade para fora, os chamados intermediários. Necessários, numa sitação em que produtores geralmente sentem-se desamparados na hora de vender; mas, sempre tirando uma boa parcela dos rendimentos da produção. O desamparo do produtor pode dever-se à falta de conhecimento das técnicas e de informações a respeito do mercado e/ou por impossibilidade técnica (armazenamento) e financeira (precisa do dinheiro para cobrir os custos e manuter a propriedade e da família) para segurar a produção por mais algum tempo na fazenda, no sítio ou na chácara.
Saiba que a maior parte da produção é vendida nos primeiros quatro meses do ano, e que o mercado oscila muito nesta época, criando posições rmuitas vezes desfavoráveis para os agricultores. Fala quem conhece: o presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Londrina, Nagib Abudi Filho, e o superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento no Paraná, Eugênio Stefanello. Eles analisam e fazem sugestões. No mínimo que os produtores esforcem-se para não vender tudo de uma vez - vendam aos poucos, é o conselho dominante.
Para produzir bem, o agricultor necessita, antes de mais nada, conhecer o negócio. Este conhecimento vem respaldado pela pesquisa e pela tecnologia agronômica e veterinária. Nesse caminho o leitor encontra, nesta edição, informações sobre algumas novas descobertas. Uma delas é o isolamento, conseguido por uma pesquisadora da Embrapa, de bactéria que controla o nematóide-das-galhas, um perigoso inimigo da soja, do café, da batata, das hortaliças e das árvores frutíferas; e verá como, usando modelos matemáticos, pesquisadores e produtores podem planejar o plantio e criações em todo o País. Além disto, Folha Rural publica notícia de que, por melhoramento genético, está para surgir o ‘‘superporco’’, que terá dentro de oito anos aumento de 60% no peso/carne, e pesará 1.600 quilos!

Fique de olho:
na colheita
farta, o preço
tende a cair


Por falar em carne, começou em Curitiba a aplicação da Portaria 304, que disciplina a distribuição e a comercialização de carne embalada, identificando-as por uma etiqueta. Vai melhorar para todo mundo, dizem os defensores da idéia: para o consumidor, para os varejistas e, naturalmente, para o Estado que poderá fiscalizar melhor os abates e assim reprimir a matança clandestina e a sonegação de impostos. Além de melhorar a qualidade da carne bovina. O método será aplicado em breve no interior do Paraná. A pretensão é que chegue a todo o País.
Por estas notícias e por outras, conclui-se que o Brasil possui tecnologia e objetivos viáveis na área dos agronegócios (agribusiness). Falta é decisão política de levar os programas e melhorias a todos os beneficiários potenciais: os produtores rurais e aqueles que apenas consomem os produtos da roça e que assim realimentam a produção.
Como faz, por exemplo, o Instituto Agronômico do Paraná, ao se dedicar a caminhos que abrem possibilidades, a exemplo da nova maçã que acaba de surgir, após 20 anos de pesquisas, no seu pólo seidado em Curitiba. Esta maçã, mais produtiva, pode ser plantada até na Bahia, porque se adapta a regiões onde ocorrem temperaturas superiores às registradas nos lugares tradicionais de produção da Região Sul do Brasil.
Já que o Brasil tem espaço, pesquisa bem desenvolvida; tecnologia de produção; e tem produção, falta o quê? Falta, respondem geralmente produtores e especialistas, decisão de Governo em defesa dos interesses da produção agrícola nacional, para que de fato o País produza uma supersafra, capaz de alimentar seu povo, tirar o produtor dos costumeiros apertos, e, em vez de importar, tenha matéria-prima para exportar.
O autor é editor da Folha Rural.

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