Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que o Brasil vai produzir 126 milhões de toneladas de grãos na safra 2003/2004. Ainda que a estiagem reduza essa produção, as safras brasileiras têm sido cada vez mais volumosas. O número evidencia o déficit em capacidade de armazenamento enfrentado pelo País, que, segundo a própria instituição, possui armazéns para guardar 94 milhões de t. O Paraná reflete o cenário nacional. Com expectativa de produzir até 27 milhões de t, possui capacidade para armazenar 19 milhões de t de grãos.
Baseada na análise deste cenário, a Cia Multi, de Londrina, está lançando um sistema de armazenagem simplificado para pequenos e médios produtores: o Silogranel, menor que as unidades convencionais, mais fácil de operar e com custo 50% mais baixo que o silo tradicional. De acordo com o engenheiro mecânico Gustavo Sá Pereira Filho, diretor industrial da empresa, o objetivo é produzir unidades de armazenamento viáveis para pequenas propriedades rurais.
O público alvo da empresa são produtores que possuem áreas entre 10 ha e 500 ha. De acordo com dados do IBGE essa parcela perfaz quase 50% das propriedades brasileiras. Na região Sul do País, o número sobe para 61%. E no Paraná, 57% das propriedades possuem essas características.
O Silogranel tem capacidade para armazenar de três mil a 25 mil sacas de grãos. A instalação de uma unidade na propriedade, segundo o diretor, traz a vantagem de permitir o aproveitamento total do produto (incluindo resíduos e grãos quebrados que podem ser utilizados como ração); garante o alongamento do período de colheita e entrega; mantém a qualidade dos cereais (a produção não se mistura com os grãos de outros produtores, como acontece nos armazéns terceirizados); e oferece a possibilidade de separar produtos de qualidade diferentes que têm preços de mercado variados.
A esses benefícios, soma-se a vantagem comercial. Com autonomia sobre sua safra, o produtor pode esperar o melhor momento para comercializar a colheita e aproveitar os períodos de entressafra, quando o preço de mercado é mais alto e o frete custa menos. Também elimina a necessidade de utilizar armazéns terceirizados que cobram taxas de classificação e armazenamento. ''O custo de secagem cai até quatro vezes em comparação ao serviço terceirizado'', comparou Gustavo.
Ele ressaltou que o sistema foi concebido para ter fácil instalação (a montagem leva 30 dias) e baixo custo. A obra civil é de execução simples, o sistema elétrico não exige especialista com profundo conhecimento e o sistema de movimentação (percurso entre o caminhão e o silo e vice-versa) não depende de operações sofisticadas.
A empresa oferece treinamento para operação dos equipamentos com o objetivo de garantir independência ao produtor. ''O importante é ter domínio sobre o processo para gerenciar melhor'', disse.
O diretor comercial Edunizeti Luiz Vespero acrescentou que o investimento na unidade se dilui em três anos - se as condições de mercado forem normais. O Silogranel com capacidade para 25 mil sacas, por exemplo, sai por R$ 200 mil, enquanto um similar convencional custa em torno de R$ 500 mil. ''É mais racional investir em uma unidade própria'', opinou ele.
COMPARE - Enquanto na Argentina 30% das propriedades possuem sistema de armazenagem, no Brasil o índice é de apenas 5%. Em comparação a países de fora da América Latina, a diferença aumenta. No Canadá, por exemplo, 80% das propriedades possuem unidade de armazenamento. O índice é de 60% nos Estados Unidos e 35% na Europa. Nesses locais, o poder público investiu primeiro nas pequenas propriedades para depois se preocupar com grandes empresas e tradings de exportação.

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