Governo e entidades do setor produtivo de carne bovina estão discutindo o Sistema Brasileiro de Rastreabilidade Bovina. O objetivo é atender a uma exigência da União Européia, maior comprador potencial da carne brasileira no exterior, que vigora a partir de 1 de janeiro de 2002. A estimativa é que a Comunidade Européia, Estados Unidos e Japão tenham uma demanda de 600 milhões de consumidores dos quais 400 milhões só na Europa.
O questionamento de alguns setores da cadeia produtiva tem sido sobre a viabilidade da implantação e o formato com que essa rastreabilidade poderá ser implantada nas propriedades. Governo e lideranças do setor são unânimes, no entanto, de que o rastreamento deve ser implantado em benefício da economia brasileira. A União Européia só comprará carne proveniente de animais rastreados, com informações desde o nascimento e acompanhamento no processo industrial.
Aproveitar oportunidade
O Brasil vive um bom momento para exportar a carne já que dois dos maiores fornecedores mundiais para países da Europa estão, temporariamente, fora do páreo, informa o coordenador de pecuária de corte da Confederação Nacional de Agricultura (CNA) Antenor Nogueira: ''Argentina e Uruguai momentaneamente estão com dificuldades de vender ao mercado externo em função de problemas sanitários nos seus rebanhos. Mas o Uruguai já está voltando a vender e a Argentina espera em breve voltar ao mercado.''
Aumento da exportação
De acordo com informações de Nogueira este ano as exportações brasileiras já deverão fechar com um aumento de 12% a 14% em relação ao que foi exportado no ano passado, totalizando 800 mil toneladas e US$ 1 bilhão. Dessas 800 mil toneladas, cerca de 400 mil toneladas na forma de carne in natura ou industrializada foram vendidas para a Europa.
A carne brasileira chega no mercado mundial a preços mais baixos do que o produto da Austrália ou dos Estados Unidos. Esses países vendem a arroba a US$42/43. A arroba da carne brasileira é vendida a US$ 16/17. ''Esse ano houve um aumento no preço da carne brasileira que é exportada na ordem 12%, mas é preciso conseguir remuneração melhor para nosso produto e estratégias para que isso se reverta em maior remuneração também para o agropecuarista.
Da porteira para dentro
Hoje a carne bovina exportada pelo Brasil é identificada apenas a partir do frigorífico. O sistema é obrigatório para as indústrias exportadoras. O produto tem um rótulo com informações como data de abate, sexo do animal e o lote a que ele pertence. ''Os compradores da Europa querem saber também do que aconteceu antes do animal chegar a indústria. A medida que evoluir a rastreabilidade na propriedade a indústria vai se ver obrigada a pagar mais pelo preço da arroba de um animal rastreado,'' informa Nogueira.
Vantagens no mercado interno
A vantagem de implantar o sistema de rastreabilidade é boa também para o comércio de carnes dentro do País, explica Antenor Nogueira. Ele acredita que o fato de ofertar um produto diferenciado, de padrão, qualidade e com informações sobre a carne, desde a fazenda até o bife no prato do consumidor, pode remunerar melhor o pecuarista.
Um criador de bezerros por exemplo, exemplifica Nogueira, com intenção de vender aos invernistas também poderão beneficiar-se da rastreabilidade. ''Eles estarão oferecendo um produto de maior valor. Outras categorias de animais dentro do rastreamento também serão beneficiadas, não só na venda aos frigoríficos, mas no comércio entre os próprios pecuaristas.''

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