Brasil precisa apostar na cana
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sexta-feira, 08 de setembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Duzentos e cinquenta milhões de novos hectares em todo o mundo. Este é o potencial da cana-de-açúcar para os próximos anos. A afirmação é do presidente do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Roberto Rezende Barbosa. Ele participou recentemente de um seminário, em Londres, no qual foi discutido o futuro do setor sucroalcooleiro mundial.
Segundo ele, com a simples adição de 5% de álcool à gasolina, a demanda por cana cresceu dez vezes e o álcool passou a ser tratado como commodity no mercado internacional. ''O mundo inteiro começou a olhar para o Brasil, um dos únicos países a deter área e tecnologia necessárias para expandir a produção'', defende.
Maior exportador de álcool do mundo, o Brasil perdeu o posto de maior produtor para os Estados Unidos este ano. Para recuperar a posição, alerta Barbosa, é fundamental para o País manter sua excelência em pesquisa. ''Só assim conseguiremos superar a concorrência dos países que têm investido na agroecologia para buscar uma solução energética renovável que substitua o petróleo'', diz Barbosa.
Para o presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, são exatamente os investimentos em pesquisa que têm garantido o aumento da produtividade dos canaviais e, consequentemente, das usinas de álcool e açúcar. ''Antes se produzia 3,5 mil litros de álcool/hectare, hoje são produzidos 10 mil'', assinala.
Mas mesmo com tantos avanços tecnológicos, o Brasil ainda investe pouco em pesquisa e desenvolvimento. Segundo o diretor-superintendente do CTC, Nilson Zaramella Boeta, enquanto o setor canavieiro da Austrália investe 1,5% de seu faturamento em pesquisa e os africanos 1%, a cadeia sucroalcooleira brasileira destina apenas 0,3% dos lucros em novas tecnologias.
''Se já somos grandes com pouca pesquisa, imagina o que poderemos conquistar com o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e adaptadas'', declara Boeta, ressaltando o lançamento da segunda geração de cultivares do CTC, ocorrido em agosto. ''As novas cultivares resultam de um programa de melhoramento genético que durou cerca de uma década e exigiu investimentos próximos a R$ 10 milhões anuais'', informa.
As variedades CTC 6, 7, 8 e 9 agregam características como alto teor de sacarose, maturação precoce, ótima brotação de soqueira, adaptabilidade à colheita mecanizada e resistência às principais doenças da cultura.
Segundo Boeta, a primeira geração de cultivares desenvolvidas pelo centro tecnólogico - CTC 1 a 5 - incrementou em 18% o retorno econômico em relação à cultivar padrão mais utilizada no País, a RB 72454. ''Já as novas cultivares têm um incremento de 25%.''


