Segundo dados da Fiocruz, o Brasil utiliza um milhão de toneladas de agrotóxicos por ano. O pesquisador da instituição Luiz Claudio Meirelles afirma que, ao todo, estão disponíveis no mercado 450 ingredientes ativos. Desse total, são verificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em alimentos apenas 230. Ainda segundo o pesquisador, na água que consumimos, apenas 27 ativos são verificados durante o tratamento.
Meirelles revela que a investigação sobre a quantidade de resíduos de agroquímicos é muito baixa pois o investimento nessa área também é baixo. "A Anvisa sempre aumentou a varredura", completa. O pesquisador revela que culpar o produtor é um grande erro. "Faltam para o setor políticas educacionais para incentivar, por exemplo, o uso do EPI. Além disso, o governo e as empresas têm a responsabilidade de orientar sobre o uso dos produtos", completa.
Conforme Meirelles, o consumo de defensivos agrícolas é alto para a capacidade de abrangência dos programas de conscientização. "Muitos não têm noção do grau de periculosidade dos produtos", lamenta. Ele completa que muitos elos do setor não cumprem o seu papel e avalia que os aplicadores devem ter um cuidado maior, principalmente com os produtos neurotóxicos, que atacam o sistema nervoso. Alguns deles, especialmente os organofosforados, estão aos poucos saindo do mercado. "A legislação brasileira diz que produto que causa efeito crônico não pode ser comercializado", alerta.

DEPRESSÃO


A exposição a alguns tipos de defensivos agrícolas pode estar relacionada a casos de depressão. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental dos Estados Unidos, coordenado pelo epidemiologista Freya Kamel, dentre 19 mil casos, pacientes submetidos a duas classes de pesticidas e a dois pesticidas em particular apresentaram maior probabilidade de serem diagnosticados com depressão. Aqueles que utilizaram inseticidas organoclorados tinham 90% mais chances de serem diagnosticados com depressão do que os que não usaram. No caso dos fumigantes, o risco era 80% maior.
Questionado sobre a influência dos agrotóxicos em casos de depressão em trabalhadores rurais, Octávio Nakano, pesquisador da Esalq/USP observa que não é comum no Brasil. "O que mais ocorrem são casos de alergias." (R.M.)

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