Divulgação/MonsantoSoja convencional (2) e soja modificada (Round Up Ready) (1)A soja transgênica chega ao Brasil a partir da próxima safra. E chega como uma revolução promovida pela biotecnologia, que promete reduzir custos de produção e eliminar a dependência da aplicação de elevadas quantidades de insumos químicos. A Comissão Nacional Técnica de Biossegurança, vinculada ao Ministério da Indústria e Tecnologia, já autorizou o plantio-piloto na safra 97/98.
No Brasil a experiência será feita nos Estados do Paraná e Goiás, pela Monsanto, uma das empresas pioneiras em biotecnlogia no mundo. Os Estados Unidos plantou a soja transgênica nas últimas duas safras comerciais, e o milho transgênico, na última safra. Também a Argentina aderiu ao avanço da tecnologia e plantou soja transgênica na última safra. Outros países como Canadá, Austrália, França, Itália e China já estão plantando a soja modificada geneticamente, sinalizando que ‘‘esse é o produto do futuro’’. Além da Monsanto, outras grandes multinacionais recorreram à biotecnologia, que é a manipulação genética de organismos vivos, para modificar as sementes.
Cento e cinquenta anosNa verdade, a biotecnologia usa descobertas feitas nos últimos 150 anos sobre a forma de transmissão de características hereditárias. Com a nova técnica foi possível desenvolver a manipulação, reproduzindo em laboratório o que a natureza por si só já faz. A única diferença é que a biotecnologia acelera os resultados.
Alessandro SantosO agrônomo Geraldo Berger é especialista em biotecnologia de plantas
O uso da biotecnlogia na Agricultura consegue o mesmo efeito que a introdução de uma nova variedade geneticamente melhorada para aumentar a produção e resistente ao ataque de pragas e efeitos climáticos. Só que na agricultura convencional esse processo demoraria de 20 a 30 anos, até a pesquisa ser gerada, testada e posteriormente comercializada, enquanto com a biotecnologia esse prazo cai para cerca de três anos.
O veículo de difusão da biotecnologia é a semente. Isto permite que todas as transformações que se pretendem na planta sejam feitas de uma só vez, através da transgênese. Isto é: pega-se o código genético (DNA) de uma planta, com as características desejadas e se transfere esse material genético de um organismo para outro. Quando a planta com a semente modificada cresce, desenvolve uma proteína tóxica que vai matar as pragas. O processo é o mesmo do controle biológico, afirma o agrônomo Geraldo Berger, diretor industrial da Monsanto.
Ele explica que a biotecnologia permite o perfeito controle daquilo que se passa à nova espécie. Enquanto no cruzamento tradicional entre duas espécies, para obtenção de uma terceira, ocorre a transmissão tanto das caracteristicas consideradas boas como daquelas que eventualmente podem causar algum prejuízo à saúde ou ao meio ambiente, acrescentou.
A biotecnologia utilizada por aquela empresa ‘‘surpreende pela simplicidade’’, afirmou Berger. Ela utiliza uma bactéria que ocorre naturalmente no solo, a Agrobacterium tumefasciens, como meio para introduzir novos genes em plantas. A bactéria funciona como um portador da característica desejada, que é depois transferida para a espécie vegetal que se deseja modificar.
SojaNo caso da soja, o maior problema dos produtores é controlar a infestação de ervas daninhas no período da pós-emergência. Se o produtor recorrer aos herbicidas existentes no mercado, recomendáveis apenas na fase pré-emergente, para controlar o mato, esse produto vai matar todas as ervas daninhas e também a planta da soja. Com a biotecnologia, os pesquisadores conseguiram introduzir o ‘‘Bacillus thunigiensis’’ (BT), gene que mata as pragas e lagartas, na semente de soja. Assim, quando a lagarta come a soja, vai ingerir também uma toxina letal para ela.
A semente de soja transgênica desenvolvida pela Monsanto é conhecida como ‘‘Round Up Ready’’, que é semente preparada por um herbicida da empresa. O uso dessa semente, afirma Gerger, ‘‘dispensa a aplicação do produto e vai contribuir com o controle das ervas daninhas, sem danos à planta principal, mesmo no período de pós-emergência.

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