Brasil negocia venda de carnes para a China
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sábado, 01 de dezembro de 2001
Cláudia Barberato<br>De Londrina 
O Brasil poderá começar a exportar carnes in natura bovina, suína e de frango para a China. A informação é Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Luís Carlos de Oliveira já conversou com o diretor-geral adjunto do Departamento de Inspeção e Controle de Qualidade do Ministério do Comércio Exterior e da Cooperação Econômica da República Popular da China, Yan Chang Xiang, para discutir o reconhecimento mútuo das políticas de sanidade animal e vegetal dos dois países.
Além de abrir o mercado chinês às carnes brasileiras, o reconhecimento mútuo também possibilitará que aquele país passe a exportador de produtos agropecuários para o Brasil. O maior interesse dos chineses é vender alho e tripa (produto usado na fabricação de embutidos).
Segundo informações do Mapa uma missão técnica brasileira deverá visitar a China na primeira quinzena de dezembro. Junto com técnicos chineses, os brasileiros deverão discutir normas de sanidade animal e vegetal para que o intercâmbio comercial possa ser feito entre os dois países.
O Brasil espera que a China reconheça as zonas brasileiras livres de febre aftosa, peste suína clássica e newcastle; as indústrias nacionais habilitadas à exportação e o sistema de certificação dos produtos. A abertura do mercado chinês para o Brasil, de acordo com técnicos do Mapa, pode representar um incremento de R$ 60 a 80 milhões nas exportações de frango.
Mercado atraente
Em outros setores, como as montadoras de veículos, já existem negócios entre os dois países. Para uma das montadoras instaladas no Brasil, por exemplo, a China já é um dos melhores mercados no exterior. Esse ano a participação nas vendas de apenas uma delas no mercado chinês foi de 14%. Segundo dados do Governo brasileiro entre janeiro e setembro desse ano o Brasil comprou US$ 979 milhões em produtos chineses e vendeu US$ 1,5 bilhão.
Com a a entrada da China na OMC as perspectivas aumentam já que aquele país está entre os 10 maiores exportadores e importadores do mundo. Com uma população de 1 bilhão de consumidores é um dos mais atraentes mercados no exterior mas até agora trabalhava com pesadas taxas para comprar produtos estrangeiros. Para entrar na OMC a China teve que negociar com vários países o que significa que terá que baixar suas tarifas alfandegárias e mudar cotas de importação. No caso do suco de laranja, um dos principais produtos da exportação brasileira, a tarifa poderá cair de 70% para 15% até o ano de 2005.
Volumes das exportações
A previsão de faturamento em 2001 das exportações do agronegócio brasileiro segundo fontes do Mapa é de US$ 22 bilhões, o que representa um aumento de 10% em relação ao que foi exportado em 2000. Para a importação a previsão é de somar US$ 7 bilhões, o mesmo valor de 2000. O saldo será de US$15 bilhões, 15% superior ao de 2000, quando atingiu US$ 13 bilhões.
A posição do governo em relação as negociações em torno da criação da Alca é de que não haverá acordos se não for incluída nas discussões a questão da agricultura. O mesmo argumento pôde ser usado em relação à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o Ministério da Agricultura um país como o Brasil, no qual 40% de sua exportação é de produtos do agronegócio, não pode ir para uma negociação internacional que não tenha como item fundamental abertura de mercado para produtos agrícolas e a eliminação dos subsídios à exportação.


