A estimativa de quebra em até 30% na safra americana de milho devido à estiagem trouxe vantagens e desvantagens para o agronegócio brasileiro. Por um lado, produtores de grãos seguem comemorando o alto valor das commodities, mas por outro criadores de bovinos, suínos e aves amargam prejuízos pelo elevado custo da alimentação dos animais. O diretor da consultoria Céleres, Anderson Galvão, explica que os valores das commodities tenderão a oscilar até setembro, quando inicia a colheita nos Estados Unidos.
Por enquanto, completa Galvão, a tendência é de que os preços se mantenham em alta. ''Se confirmada essa quebra, o mercado voltará os 'olhos' para a América do Sul'', supõe. Entretanto, o consultor afirma que o Brasil perdeu um pouco o seu brilho porque a sua produção agrícola ainda enfrenta desafios que comprometem o desenvolvimento do setor. O alto custo de energia, mão de obra escassa e a falta de infraestrutura de escoamento são fatores que ainda emperram o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
Galvão explica que uma alternativa para consolidar o mercado de commodities é agregar valor à produção. Porém, essa atividade requer apoio do governo para reduzir os custos de produção. Segundo ele, demanda existe, mas é preciso diminuir o valor para industrializar.
Safrinha
O consultor da Céleres explica que a elevada produção brasileira de milho segunda safra deverá suprir as necessidades do mercado interno e externo. ''Atualmente o Brasil exporta no total 14 milhões de toneladas por ano e tende a crescer'', sublinha. De acordo com o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) o País deverá colher 38,6 milhões de toneladas de milho, apresentando um incremento recorde de 71,7% se comparado com a safra 2010/11. Em área, o País plantou nesta segunda safra 7,5 milhões de hectares, 22,9% a mais do que o mesmo período do ano passado. (R.M.)

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