A coordenadora da Rede Mundial de Pesquisa Biotecnológica em Mandioca (nome em inglês (Cassava’s Biotechnology Network - CBN), Anne Marie Thro, informou que os primeiros resultados das pesquisas realizadas por essa organização começarão a ser aplicados no Brasil. O País foi um dos escolhidos, porque é um dos únicos com estudos biotecnológicos em mandioca relativamente avançados.
A CBN tem feito contato com vários centros de pesquisa brasileiros, tais como o Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) e o Centro Nacional de Pesquisas em Mandioca e Fruticultura (CNPMF), ambos unidades de pesquisa da Embrapa e também com as Universidades de Campinas (Unicamp) e a Estadual de São Paulo (Unesp). ‘‘A Unesp é um caso particular, com estudos
mais elaborados, que serão inclusive transferidos para outros países’’,
disse Anne Marie.
A CBN tem 35 países associados, 20 dos quais não produzem mandioca. O restante são países em desenvolvimento que plantam a cultura e que, em geral, a consomem apenas ‘‘in natura’’. ‘‘Há vários países europeus e norte-americanos que realizam pesquisa com mandioca, embora não a cultivem porque a raiz não ocorre lᒒ, conta a coordenadora da CBN. Segundo ela, há 15
laboratórios europeus e norte-americanos que fazem pesquisas com mandioca. Atualmente, a CBN vem trabalhando com programas nacionais em 21 países. Pelo menos dez desses programas são biotecnológicos.
PesquisaOs avanços sobre a pesquisa em mandioca são animadores, de acordo com a pesquisadora. Anne Marie lembra que, há dez anos, quando a CBN foi fundada, ninguém falava em pesquisa sobre essa cultura rústica que apresenta altos índices de produtividade em áreas marginais na região tropical. ‘‘De cinco anos pra cá, houve uma mudança de mentalidade quanto ao uso da mandioca. Os países acordaram para o fato de que ela é uma fonte muito produtiva’’,
ressaltou.
Anne Marie prevê que serão necessários mais cinco anos, provavelmente, para que surjam resultados visíveis na indústria, por exemplo. ‘‘A mandioca pode muito bem competir de igual pra igual com outros grãos, quando for dominada a tecnologia para criar subprodutos’’, observou. Ela espera que, ao dominar processos tecnológicos que agreguem valor à cultura, os países em desenvolvimento parem de importar certos produtos manufaturados cuja matéria-prima é o milho.
IndustrializaçãoApesar das pesquisas já feitas com o tubérculo, não há no mundo produto de mandioca geneticamente modificada. Estudo em andamento na Embrapa Mandioca e Fruticultura busca direcionar o amido da mandioca para indústrias específicas como a de papinhas de bebê ou de sopas. O uso industrial da mandioca, no entanto, é muito reduzido mesmo no Brasil, maior produtor mundial da raiz. A exceção fica por conta da produção de farinha.
Na última reunião da CBN, da qual participaram seus associados da América Latina e Caribe, a estratégia definida foi garantir o acesso de qualquer tecnologia desenvolvida em mandioca para os produtores e pequenas indústrias, e ainda a forma como a rede vai buscar fundos para as pesquisas dos centros ligados a ela. ‘‘Acho que a indústria familiar vai se beneficiar dessas tecnologias’’, prevê Anne Marie. A CBN está se preparando, agora, para o encontro mundial da rede que será realizada em novembro, em Salvador.

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