Brasil inova pesquisa sobre genoma
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
O sequenciamento do genoma da bactéria Chromobacterium violaceum, obtido no ano passado por pesquisadores que integram a Rede Nacional do Projeto Genoma Brasileiro, não significa apenas uma conquista científica para o País. De acordo com o pesquisador Andrew J. G. Simpson, coordenador do projeto, a iniciativa demonstra também a eficiência de um novo modelo de pesquisa no setor, criado no Brasil e atualmente copiado pelo mundo: o trabalho em rede envolvendo pesquisadores de várias regiões.
Simpson esteve em Londrina na semana passada proferindo palestra sobre esse assunto, durante cerimônia de inauguração do Laboratório de Biotecnologia do Solo, onde serão desenvolvidas atividades dos projetos Genoma Brasileiro e Genoma Paraná (Genopar), além de pesquisas sobre microbiologia do solo.
Sistema inovadorO laboratório da Embrapa é um dos 25 laboratórios que integram a Rede Nacional, completada por um centro de bioinformática. No Paraná, laboratórios da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Curitiba, também fazem parte da equipe.
O sistema de rede, segundo Simpson, é inovador porque aproveita a estrutura já existente em instituições brasileiras e descentraliza a pesquisa. Além disso, permite aproveitar vários talentos simultaneamente, fortalece os laboratórios e estimula a cooperação entre pesquisadores, afirmou, acrescentando que o Ministério de Ciência e Tecnologia já investiu R$ 10 milhões no projeto. Antes do sequenciamento da Chromobacterium violaceum, as pesquisas relacionadas ao genoma se restringiam a São Paulo.
A bactéria é o primeiro organismo de vida livre sequenciado no Brasil. Ela é capaz de viver em ambientes diversos, por isso, o que interessa aos pesquisadores é saber como o organismo se protege em lugares diferentes. A bactéria tem atividade contra a Doença de Chagas, a malária, é resistente a herbicidas, tem ação antibiótica e antifúngica, entre outras propriedades. A pesquisa sobre a Chromobacterium violaceum encontra-se na fase final, quando ocorre a análise de cada gen.
Trabalho pioneiroO Brasil tem se mostrado inovador no sequenciamento de genomas desde quando começaram as pesquisas na área. A primeira bactéria sequenciada no País foi a Xylella fastidiosa, um fitopatógeno que ataca frutas cítricas. De acordo com Andrew, foi o primeiro fitopatógeno sequenciado no planeta e o primeiro organismo importante para a agricultura. No resto do mundo, as pesquisas enfatizam doenças humanas, comentou. O trabalho abriu caminho para a realização de outras pesquisas de interesse para o setor agrícola.


